É com o coração e a alma em luto que escrevo este editorial, um dos mais difíceis que a vida nos impõe. A dor da perda de um ente querido, como a do meu sobrinho, Ailson Ferreira Souza, que nos deixou na noite de 24 de julho, por volta das 22h, é indescritível. Sua passagem foi abrupta, ceifada por uma tragédia inaceitável: a colisão de sua motocicleta com um cavalo solto em uma importante rodovia de Eunápolis.
Ailson, um jovem trabalhador e estudante, uma pessoa do bem, um pilar de nossa família e da comunidade de Eunápolis, foi vítima de uma irresponsabilidade que clama por justiça. Ao seu lado, Lavinia Souza Vieira, 22 anos, sua amiga de longa data, também foi brutalmente atingida. Felizmente, as últimas informações hospitalares indicam que Lavinia se recupera, mas a marca dessa tragédia é indelével em todos nós.
A Culpa Não é do Animal: É da Irresponsabilidade Humana!
Este editorial não busca ser um julgamento, mas um grito de alerta. Não podemos ignorar que a presença de um animal de grande porte solto em uma via movimentada de uma das principais cidades do Extremo Sul da Bahia é, no mínimo, uma irresponsabilidade de seus proprietários. Não cabe a nós definir culpas individuais neste momento de dor, mas é inegável que a omissão na guarda de um animal desse porte em uma área de alto risco é uma falha grave, com consequências fatais.
Onde Estão as Autoridades? Um Apelo Urgente à Gestão Pública
É crucial, também, ressaltar a responsabilidade dos gestores e autoridades públicas. Eunápolis, cortada por duas rodovias federais vitais – a BR-367, que a conecta a um dos maiores polos turísticos do Brasil, e a BR-101, que liga o país de Norte a Sul – não pode mais compactuar com a negligência no trânsito de animais de grande porte em suas vias. A falta de fiscalização e de aparatos que impeçam essa circulação desordenada é um atentado à segurança da população.
Não é a primeira vez que acidentes como o que vitimou Ailson acontecem em Eunápolis, e infelizmente, não é um problema exclusivo de nossa cidade. Porto Seguro, por exemplo, também enfrenta essa dura realidade. Quantos “Ailsons” ainda terão que perder suas vidas? Quantas famílias terão que ser dilaceradas por uma irresponsabilidade que pode e deve ser evitada?
Um Grito de Alerta e um Pedido de Ação Imediata
Não estamos aqui apenas para criticar, mas para ecoar um grito de alerta. Prefeito, vereadores, gestores de trânsito e segurança pública: é hora de repensar a maneira como Eunápolis é administrada. Nossa cidade não é pequena nem insignificante; ao contrário, é um centro vital na Costa do Descobrimento. É inaceitável que acidentes com animais soltos se tornem uma rotina trágica.
Quantas mortes serão necessárias para que medidas efetivas sejam tomadas? Quantos animais, como o pobre cavalo que também perdeu a vida nessa tragédia, terão que ser sacrificados pela irresponsabilidade de seus donos e pela omissão do poder público?
Faço um apelo direto à Câmara Legislativa de Eunápolis: ajam! Nós votamos em vocês, pagamos nossos impostos e esperamos que a segurança e o bem-estar dos cidadãos sejam prioridade máxima. Não é um favor, é um dever! A vida de inocentes não pode ser o preço da ineficiência e da negligência.
Desabafo de um Coração, com um Único Objetivo
Peço desculpas aos leitores por este desabafo, talvez permeado pela dor e pela falta de coerência que o luto impõe. No entanto, é a voz de um coração triste neste momento que fala, impulsionado pela necessidade de clamar por mudanças. Este editorial não busca audiência, mas sim expor as deficiências que assolam nossa importante cidade.
Que a perda de Ailson sirva como um marco. Que nenhum outro jovem precise perder a vida de forma tão trágica. Que nenhum outro animal seja sacrificado pela irresponsabilidade humana. Que nossos administradores e legisladores deixem de lado os interesses políticos e partidários e pensem, de fato, na cidade, no estado e no país que juraram servir. A vida dos cidadãos vale muito mais do que qualquer mandato ou carreira política.
Fábio Vieira (Del Porto)


2 Comentários
Concordo inteiramente com o texto!
Sou o pai que sepultou um filho que não bebia, não fumava, não ia para festas… Somente trabalhava para ajudar a família!
Temos que nos unir para que isso não aconteça novamente!
Menino de luz… Todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo hoje vivem um luto profundo — um luto difícil de aceitar até agora. Clamamos para que essa fatalidade não seja esquecida, mas que as devidas providências sejam tomadas com justiça e seriedade.
Só peço a Deus que nos conforte, e nos dê forças para lidar com essa perda tão dolorosa em nossas vidas.