Nesta terça-feira, 7 de abril, celebramos o Dia do Jornalista. A data não foi escolhida ao acaso; ela carrega o peso de uma revolução política e o sacrifício de quem deu a vida pela liberdade de expressão no Brasil. Criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a efeméride homenageia Giovanni Battista Libero Badaró, médico e jornalista assassinado em 1830 por sua oposição ferrenha à monarquia.
O crime contra Badaró foi o estopim de uma crise sem precedentes. O clamor popular após sua morte fragilizou o governo a tal ponto que, exatamente um ano e meio depois, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicou do trono brasileiro, partindo para Portugal e deixando o país sob a regência de seu filho, D. Pedro II. Celebrar hoje é, portanto, recordar que o jornalismo é um pilar capaz de moldar o destino de uma nação
Ser jornalista no Brasil de hoje exige resistência. A função vai além de apenas “dar a notícia”; trata-se de um compromisso ético com a apuração rigorosa, o cruzamento de dados e a vigilância constante dos poderes estabelecidos. É, em sua essência, o exercício de garantir o direito constitucional do cidadão à informação de qualidade.
A polêmica do diploma: Formação técnica ou vocação livre?
Um dos pontos mais sensíveis e recorrentes na categoria é a obrigatoriedade — ou a falta dela — do diploma universitário para o exercício da profissão.
Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a exigência do diploma de curso superior de Jornalismo para o registro profissional era inconstitucional. O argumento central foi que a obrigatoriedade restringia a liberdade de expressão, que é um direito fundamental de qualquer cidadão, independentemente de formação acadêmica específica.
Desde então, o setor vive uma divisão clara de opiniões que persiste até 2026:
- A defesa do diploma: Sindicatos e federações de jornalistas (como a FENAJ) argumentam que a formação universitária fornece a base ética, técnica e jurídica necessária para o exercício responsável da profissão. Para esse grupo, o diploma é um escudo contra o amadorismo e garante que o profissional saiba diferenciar o interesse público da mera curiosidade ou do sensacionalismo.
- O argumento da liberdade: Do outro lado, críticos da obrigatoriedade e grandes grupos de mídia muitas vezes sustentam que o talento e a capacidade de comunicar não podem ser “engessados” por uma graduação. Alegam que grandes jornalistas da história não tinham formação específica e que a democracia se fortalece com a pluralidade de vozes.

O cenário atual e a desinformação
Independentemente do diploma, o desafio comum a todos os jornalistas em 2026 é o combate às fake news. Em uma era onde algoritmos e inteligência artificial podem criar narrativas paralelas em segundos, a técnica jornalística — o “faro”, a checagem e a responsabilidade civil sobre o que se escreve — torna-se o diferencial competitivo.
A polêmica do diploma esconde, por vezes, uma questão de valorização salarial e precarização do trabalho. No fim das contas, seja com diploma na mão ou apenas com a experiência de campo, o bom jornalismo se define pela sua capacidade de iluminar os cantos escuros da sociedade e servir de contraponto ao autoritarismo.
Se por um lado a história nos une, o futuro da profissão nos divide. O debate sobre a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício do jornalismo continua sendo um dos temas mais acalorados da categoria, especialmente após a decisão do STF em 2009 que derrubou a exigência.
| Perspectiva | Argumento Central | Justificativa |
| Pelo Diploma | Técnica e Ética | A universidade prepara o profissional para lidar com o peso da responsabilidade civil, o método de checagem e a fundamentação jurídica. |
| Contra o Diploma | Liberdade de Expressão | O direito de informar e ser informado não pode ser limitado por uma reserva de mercado acadêmica, segundo o entendimento jurídico atual. |

Análise de pressupostos e contraponto:
Ao analisarmos a questão do diploma, precisamos questionar: estamos discutindo qualidade de informação ou reserva de mercado?
Muitas vezes, toma-se como certo que “diploma = qualidade”, mas o mercado está cheio de portadores de diploma que ignoram a ética. Por outro lado, a ideia de que “qualquer um pode ser jornalista” ignora que a apuração de dados complexos exige um método que a universidade ajuda a estruturar.
Um cético diria: “Se o diploma é tão essencial para a ética, por que casos de plágio e fake news também ocorrem em redações tradicionais?” A lógica nos leva a concluir que a formação acadêmica é um acelerador de competência, mas a integridade é uma escolha individual e institucional.
Qual a sua perspectiva sobre a PEC do Diploma que tramita no Congresso? Acredita que a volta da obrigatoriedade elevaria o nível do debate público ou apenas criaria uma barreira burocrática?


