REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR EDIMILSON CIRIACCO |
As eleições de 2026 e os caminhos indicados para o futuro já estavam escritos na canção do cearense Belchior, eternizada na voz de Elis Regina: “Como Nossos Pais”. Talvez a turma dos 16 aos 30 anos não a conheça, mas a geração dos anos 70 deve se lembrar muito bem. Em seus versos, ela diz:
“Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito / Tudo, tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais (…) Você pode até dizer que eu estou por fora / Ou então que eu estou inventando / Mas é você que ama o passado e que não vê / Que o novo sempre vem (…)”
Apesar de todas as lutas dos movimentos estudantis a partir de 64, das torturas, das mortes e dos desaparecidos — daqueles que deram a vida pela nossa democracia —, ainda somos os mesmos. Seguimos divididos entre “esquerda e direita”, sem a oportunidade de ver surgir um nome forte que não esteja em cima do muro no chamado “centro político”, sempre à espera de quem estiver na frente para negociar sua adesão: um famigerado Kassab, o MDB, o União Brasil e tantos outros “patriotas” oportunistas.
Nomes como Renan Santos, o “mineirinho” falastrão Zema e Ronaldo Caiado parecem isolados em um tabuleiro geopolítico maior, decidido na disputa entre Estados Unidos e China. De um lado, os Bolsonaros americanizados se impõem como a extrema-direita na América Latina. Do outro, o incansável Lula: sem herdeiros políticos à altura, sem juventude ao lado, com um discurso cansado, militância fragilizada e um partido dividido que se vê forçado a fazer alianças até com a direita bolsonarista em alguns municipios.
Lula é um homem digno, apesar dos seus erros — e quem não os comete? É digno por enfrentar, apoiado apenas em seu discurso histórico e na caneta do cargo, uma legião pronta para destruí-lo. Segundo pesquisas recentes de intenção de voto, em um cenário contra Flávio Bolsonaro (PL), Lula lidera com 49,2% contra 42,9% do senador (brancos, nulos e indecisos somam 7,9%), vencendo praticamente qualquer simulação.
Ele é o candidato dos sonhos da esquerda? Acredito que não. Mas é, hoje, o único nome capaz de frear a extrema-direita americanizada no Brasil. Precisamos urgente do novo, de novas ideias e de novas perspectivas. Mas, por enquanto, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.
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Edimilson Ciriacco é empresário, jornalista e idealizador do Prêmio Imprensa e editor chefe da Revista Multimidia.
Edmilson Ciriacco (@revista_multimiddia)

