REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR ANA BANDARRA
Idealizado pela presidente do Instituto ECOAR Bahia, Carla Nunes, o projeto floresceu e ganhou novos contornos, ampliando seu alcance e consolidando-se como um espaço de encontro entre arte, educação e comunidade. O sucesso da primeira edição despertou o desejo de ir além, dando origem ao Cine Concerto 2, uma celebração ainda mais ampla da música e de sua capacidade de atravessar gerações.
O Cine Concerto 2 conduziu o público por uma viagem musical que percorreu diferentes universos da cultura e do entretenimento. O repertório reuniu trilhas sonoras que marcaram épocas, despertando memórias, emoções e encantamento.
De Superman e O Senhor dos Anéis aos mundos mágicos de Rapunzel e A Pequena Sereia, cada apresentação trouxe à cena personagens e histórias que permanecem vivas no imaginário coletivo. O universo de Pokémon aproximou o concerto do público mais jovem, enquanto Game of Thrones acrescentou ao espetáculo a força de uma narrativa épica que conquistou espectadores em todo o mundo.
A nostalgia encontrou espaço nas canções do Balão Mágico, trazendo lembranças da infância e dos primeiros encontros com a música. A presença de Michael Jackson relembrou a genialidade de um artista que transformou a música em linguagem universal, capaz de unir pessoas de diferentes culturas e gerações.



Encerrando essa jornada musical, O Fantasma da Ópera trouxe ao palco a grandiosidade dos grandes musicais, reafirmando a força das trilhas sonoras que permanecem vivas na memória coletiva.
O que inicialmente foi concebido para três apresentações revelou, mais uma vez, a força e o alcance do projeto junto à comunidade. A grande procura do público e a rápida venda de todos os ingressos demonstraram o interesse despertado pelo Festival da Primavera Cine Concerto 2.
Diante desse entusiasmo, a organização abriu uma sessão extra no domingo, 20 de setembro, às 20h, permitindo que mais pessoas pudessem vivenciar a experiência proporcionada pelo espetáculo. A decisão confirmou aquilo que já se percebia desde os primeiros dias de apresentação: o Cine Concerto 2 havia ultrapassado a condição de evento cultural para se tornar um verdadeiro encontro entre arte, emoção e pertencimento.
A cada sessão, o público não apenas assistia às apresentações, mas participava delas afetivamente. Crianças, jovens, adultos e idosos encontravam, nas trilhas sonoras executadas, fragmentos de suas próprias histórias. Algumas melodias despertavam lembranças da infância; outras remetiam a filmes, séries e personagens que marcaram diferentes fases da vida.
Um dos aspectos mais belos desta edição foi a oportunidade de testemunhar o encontro entre diferentes gerações unidas pela música. Pela primeira vez, a Oficina de Canto Coral ECOAR, sob a orientação da professora Natalice Lima, integrou o espetáculo. Suas vozes somaram-se à orquestra, ampliando as possibilidades sonoras do concerto e acrescentando novas camadas de emoção às trilhas interpretadas. Para os coralistas, foi também a celebração de um percurso construído em ensaios, dedicação e descobertas musicais compartilhadas.



Entre os alunos, algumas trajetórias merecem destaque especial. Vicente, aos 10 anos de idade, subiu ao palco levando consigo não apenas o clarinete, mas também a coragem e o encantamento próprios de quem inicia sua caminhada artística. Sua presença simboliza as sementes que hoje são cultivadas e que poderão florescer no futuro.
Já Cauan, aos 19 anos, representa a continuidade desse processo. Integrante do ECOAR há uma década, tem na flauta transversal seu instrumento de expressão artística, sua trajetória revela a importância da permanência, da dedicação e do compromisso com a formação musical. Seu crescimento acompanha a própria história do projeto, tornando-se exemplo para os alunos mais jovens.
No palco, músicos, cantores e coralistas deram vida a um espetáculo construído ao longo de meses de trabalho. Nos bastidores, professores, coordenadores, técnicos, familiares e voluntários contribuíram para que cada detalhe acontecesse, transformando planejamento em realização.
Histórias como as de Vicente e Cauan mostram que a música vai muito além da apresentação final. Ela ensina disciplina, convivência, sensibilidade e pertencimento.
Entre os cantores que participaram do espetáculo, Ana Clara, carinhosamente chamada de Aninha ou Clarinha, merece um registro especial. Sua presença no palco, marcada pela sensibilidade, dedicação e talento, refletiu a emoção e o compromisso artístico que caracterizaram esta edição do Cine Concerto 2.
Ao lado dos demais intérpretes, contribuiu para dar vida às trilhas sonoras que emocionaram o público, transformando cada apresentação em uma experiência de encontro entre música, memória e afeto.
Mais do que representar uma voz individual, Aninha simboliza a força da juventude, da dedicação e do amor pela arte, valores que estiveram presentes em cada momento deste espetáculo.
Para o público, o que se vê é o resultado; nos bastidores, existe uma construção diária feita de estudo, persistência e amor pela arte.
Alguns momentos revelaram de forma especial a sintonia entre palco e plateia. A execução de O Fantasma da Ópera foi recebida com entusiasmo pelo público, tornando-se um dos momentos mais aplaudidos do espetáculo. A força dramática da obra e a intensidade da interpretação encontraram eco na emoção dos espectadores, que responderam com aplausos prolongados ao término da apresentação.
Quando a noite parecia chegar ao fim, uma última surpresa aguardava o público. Como um presente inesperado, os músicos retornaram ao palco para a execução de Heal the World. O bis foi recebido com alegria e emoção, encerrando o Cine Concerto 2 sob uma atmosfera de celebração, esperança e gratidão.
Foi um daqueles instantes em que a música ultrapassa o palco e alcança cada pessoa presente. Mais do que uma apresentação artística, o espetáculo transformou-se em uma experiência compartilhada, reunindo diferentes gerações em torno da mesma emoção.
Mais do que um concerto, o Festival da Primavera Cine Concerto 2 foi um encontro entre tempos, histórias e afetos. Cada melodia abriu uma porta para a lembrança, para a imaginação e para a emoção, confirmando que a arte continua sendo um dos caminhos mais belos para aproximar pessoas e transformar experiências em memória.
O sucesso da sessão extra confirmou aquilo que a plateia já demonstrava desde a estreia: a arte continua encontrando espaço nos corações de quem se dispõe a vivê-la. Mais do que ingressos esgotados, o Cine Concerto 2 reuniu pessoas, despertou memórias e fortaleceu vínculos por meio da música.
Talvez esse seja um dos maiores legados do ECOAR: formar músicos, mas também formar pessoas, oferecendo oportunidades para que talentos sejam descobertos, desenvolvidos e compartilhados com a comunidade.
Ao final do espetáculo, uma reflexão compartilhada por Carla Nunes, presidente do Instituto ECOAR Bahia e idealizadora do projeto, sintetizou o espírito da noite. Em sua fala, destacou a importância de investir em cultura, educação e arte como caminhos para a formação humana e para a construção de oportunidades para crianças e jovens. Ressaltou que iniciativas culturais não apenas revelam talentos, mas também fortalecem vínculos, ampliam horizontes e contribuem para a construção de uma sociedade mais consciente e participativa. Suas palavras encontraram eco no próprio espetáculo, que ao longo de suas apresentações demonstrou como a arte pode transformar experiências, despertar pertencimento e abrir novos caminhos para o futuro.














