POR FABIO DEL PORTO | REDAÇÃO MAIS BAHIA |
Após um vácuo de mais de 80 dias que isolou bairros e castigou o cotidiano do trabalhador eunapolitano, a Prefeitura de Eunápolis finalmente oficializou a contratação da empresa que deverá assumir o transporte coletivo urbano. O documento de homologação, assinado pelo prefeito José Robério Batista de Oliveira, revela que a solução para o caos veio através de uma dispensa de licitação, levantando novos questionamentos sobre o planejamento da gestão municipal.
A empresa escolhida é a GDC Transportes e Serviços Ltda, contratada em caráter emergencial (Dispensa de Licitação nº 001/2026). O que chama a atenção, no entanto, é o montante envolvido: o contrato terá um valor total de R$ 4.782.722,65 (quatro milhões, setecentos e oitenta e dois mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos).
A conta da “emergência” Embora a Lei 14.133/2021 permita a contratação direta em casos de urgência, a crítica recai sobre o fato de que essa “emergência” foi construída por quase três meses de inércia. Para a população, o valor de quase R$ 5 milhões soa alto para um serviço que chega com atraso e sob o rótulo de provisório. Durante os mais de 80 dias de paralisação, o cidadão foi obrigado a arcar com transportes alternativos caros, enquanto a prefeitura conduzia o processo administrativo a portas fechadas.

Falta de detalhes e o custo do atraso O Termo de Adjudicação e Homologação, datado de 02 de abril de 2026, é puramente burocrático e não detalha as contrapartidas práticas para o usuário. Não há informações claras no documento sobre o número de veículos que comporão a frota, as condições de conservação dos ônibus ou o cronograma de retorno das linhas que atendem os bairros mais distantes.
A contratação direta, sem a ampla concorrência de uma licitação comum, é sempre um terreno sensível. Em Eunápolis, ela surge não como uma escolha estratégica, mas como um “remendo” caro para estancar uma crise que nunca deveria ter chegado a esse ponto.
O que esperar agora? Com a GDC Transportes assumindo as chaves do sistema, a cobrança agora se volta para a execução. A população de Eunápolis, que caminhou quilômetros e perdeu compromissos por falta de ônibus, não aceitará um serviço precário, especialmente após a prefeitura empenhar quase R$ 5 milhões de recursos públicos nesta operação emergencial.


