Editorial Mais Bahia
O Dia Internacional da Mulher não é uma data de concessões, mas de afirmação. Na Bahia, o 8 de março ganha contornos de ancestralidade e força, refletindo a trajetória de quem, desde Maria Felipa, compreende que a liberdade é uma conquista diária. Em 2026, olhar para a condição feminina no nosso estado é reconhecer avanços, mas, acima de tudo, é confrontar os abismos que ainda persistem no cotidiano de milhões de baianas.
O peso da realidade e os números que gritam
Não há como falar em celebração sem encarar a urgência da segurança pública. No cenário nacional, o Brasil ainda luta contra índices alarmantes de feminicídio, e na Bahia, a situação exige um olhar severo. Embora o estado tenha intensificado as políticas de proteção, como a expansão das delegacias especializadas, os números de violência doméstica ainda revelam um patriarcado resiliente que tenta silenciar vozes pelo medo.
Além da violência física, enfrentamos a barreira da desigualdade econômica. Na Bahia, a diferença salarial entre homens e mulheres em cargos de mesma responsabilidade ainda é um gargalo para o desenvolvimento pleno do nosso estado. É um contrassenso que a força que move a economia criativa, o comércio e a educação baiana ainda receba menos do que o devido.
A Bahia que inspira e a mensagem de futuro
Apesar dos desafios, a Bahia é berço de um protagonismo feminino inegável. Das lideranças comunitárias que sustentam a periferia de Salvador às empreendedoras do agronegócio no Oeste, a mulher baiana é o pilar da nossa estrutura social. Este editorial não é apenas uma constatação de fatos, mas um manifesto de apoio à autonomia.
Às mulheres baianas: que a beleza deste dia resida na consciência do seu valor imensurável. Vocês não são apenas o “pilar” da família ou da sociedade; são as arquitetas de uma nova forma de existir e de liderar. Que o respeito não seja um presente datado, mas a base de todas as relações sociais e políticas daqui por diante.
Neste 8 de março, o Mais Bahia reafirma seu compromisso de ser voz e eco para as lutas femininas. Pela vida, pela dignidade e pelo direito de ocupar todos os espaços.
Por Fabio Del Porto

