Pintor, designer, cantor e escritor, o baiano deixou um legado singular que cruzou fronteiras e linguagens, sempre com a Bahia como musa inspiradora.
A arte brasileira perdeu uma de suas vozes mais plurais e simbólicas. Morreu na noite de terça-feira (7), em Salvador, o artista plástico César Romero, aos 75 anos. Com uma carreira que se estendeu por mais de cinco décadas, Romero não se limitou às telas: foi pintor, designer, articulista e cantor, deixando um legado multifacetado que marcou a cena cultural do país.
Nascido César Romero de Oliveira Cordeiro em Feira de Santana, no ano de 1950, ele iniciou sua jornada nas artes em 1967. Sua trajetória foi desde cedo internacional. Nos anos 1970, integrou a exposição “Primitive Paintings from Bahia”, em Washington, EUA. Na década seguinte, sua obra percorreu galerias e museus em importantes cidades europeias, como Hannover, Colônia, Berlim, Barcelona, Madri, Bilbao e Lisboa.
Romero era um homem de talentos diversos. Por anos, assinou colunas sobre arte no jornal CORREIO e em outras publicações baianas, atividade que iniciou no final dos anos 1970. Como designer, também construiu uma carreira sólida. E, na música, gravou discos com interpretações de clássicos da MPB, demonstrando sua sensibilidade artística para além do universo visual.

Sua técnica, descrita por críticos como “limpa” e de “combinações cromáticas marcantes”, resultou em uma obra singular. Ele transitou por diferentes estilos sem perder a essência, tendo a cultura e a atmosfera da Bahia como ponto de partida e de chegada constante em sua criação.
Membro de instituições de prestígio como a Association International des Arts Plastiques (AIAP) e a International Association of Art, da Unesco, Romero recebeu em 1979 o título de “Personalidade do Ano – Homem Destaque do Nordeste”. Um dos ápices de sua carreira foi a grande exposição individual no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), em 2001, ocasião em que lançou um CD-ROM, dois vídeos e um livro assinado pelo renomado crítico Jacob Klintowitz.
O artista foi encontrado sem vida em sua residência, onde morava sozinho, por uma empregada que com ele trabalhava há muitos anos. A notícia de seu falecimento foi confirmada por amigos próximos, entre eles o também artista José Dirson Argolo, que o havia visitado recentemente.
César Romero parte, mas sua obra – uma vibrante tapeçaria de cores, formas e sons – permanece, ecoando a força de um artista que soube, como poucos, traduzir o espírito baiano para o mundo.


