Confesso que tive dificuldades para escolher o filme que daria início a essa jornada de escrever para esta coluna de cinema. Creio que, por ser a primeira, encarava como algo que não poderia dar errado. Não sabia se optava pelo que considero o melhor que já vi (a revelar) ou então pelo que considero meu filme favorito (também a revelar). No fim, acabei escolhendo aquele que considero, dentre os que assisti mais recentemente, o que mais me marcou. Um Tiro na Noite (Blow Out), de 1981.

Sinopse
Jack (John Travolta), um sonoplasta, em uma de suas saídas para realizar captações de som, grava por acaso um acidente provocado por um suposto estouro de pneu. Acontece que uma das vítimas do ocorrido era o então governador dos Estados Unidos e principal candidato à presidência.
O protagonista, especialista em sons, não se convence daquilo que escutou e de que tudo não passou de um trágico acidente. Rebobinando fitas e fazendo uma reconstrução através de som e imagem (aqui abro um parêntese especial para salientar a montagem fantástica proposta pelo diretor Brian De Palma), Jack enfim “descobre” a verdade e mergulha em uma trama de suspense, metalinguagem, corrupção política e assassinatos (sim, no plural).


Considerações
Talvez o melhor a se fazer seja não falar muito mais que isso de Um Tiro na Noite. Vejo esse filme como um claro exemplo daquelas obras que vale a pena assistir com o mínimo de informação possível.
De Palma faz aqui, talvez, o melhor trabalho de sua carreira. Une um enredo fantástico a uma direção primorosa. Talvez seja “batido” dizer isso, mas tudo aparenta ser milimetricamente pensado.
- O jogo de câmeras;
- A montagem, às vezes frenética, outrora sutil;
- Os personagens devidamente “exagerados”, no bom sentido — a ingenuidade da mocinha, o heroísmo do protagonista, a maldade do antagonista.
Tudo isso converge em uma obra que, não à toa, se tornou um clássico do cinema.
E, especificamente, em um final perturbador, impactante e, acima de tudo, irretocável. Muito por conta disso, nada mais falarei sobre.
Nota
9,5/10


