Lula gosta de dizer que este é o governo mais diverso da história. Bonito no PowerPoint, patético na prática. A tal diversidade cabe inteira numa mesa de bar: três mulheres, dois sindicalistas e o resto uma reedição do álbum “Os Machos de 2003 – Remasterizado”.
Veja o caso de Marina Silva, ícone ambiental global, ministra que fala na ONU e é ignorada em Brasília. Enquanto o agronegócio lambe o prato do Planalto, Lula assiste impassível. Marina é como aquela amiga que o governo convida pra festa, mas esquece de buscar. Vira piada internacional, sofre ataques da ala desenvolvimentista, e o chefe o mesmo que diz defender as mulheres se cala. Nenhuma defesa, nenhum gesto. Apenas o silêncio conveniente de quem não quer atrapalhar os meninos do petróleo.
E há também Simone Tebet, a ministra do Planejamento que planeja, mas não decide. Vive sob a sombra de Haddad, o queridinho do chefe, aquele que tem a chave do cofre e o ouvido do presidente. Tebet fala em responsabilidade fiscal e Lula ri. Não dela ri por cima dela. Como quem permite que a “mocinha da economia” brinque de orçamento enquanto os homens fazem política de verdade.
Esse é o feminismo lulista: retórico, ornamental, um bibelô institucional. Lula, o suposto defensor das mulheres, tem um histórico de dez indicações ao Supremo e só uma mulher escolhida. Quando surgem novas vagas, aparecem listas inteiras de juristas competentes: Edilene Lobo, Daniela Teixeira, Lívia Vaz, Maria Elizabeth Rocha e quem é nomeado? O amigo de sempre, o companheiro do boteco ideológico.
Entre promessas e piadas infelizes, Lula já disse que “máquina de lavar é importante pras mulheres” e que “as companheiras precisam aprender a fechar a porteira”. Parece crer que a revolução feminina começa no tanque e termina no portão.
A verdade é que, sob o discurso doce, há um Brasil arcaico, onde o poder ainda tem cheiro de after-shave e cafezinho servido por elas. As mulheres entram no governo para equilibrar o álbum, não o poder.
Marina brilha no mundo e é humilhada em casa. Tebet apresenta números e é ignorada nas decisões. Cármen Lúcia segue sozinha entre togas masculinas. E o presidente, no auge de sua autoconfiança patriarcal, continua achando que basta posar sorridente ao lado da Janja para provar que o machismo ficou no passado.
Ficou nada. Ele apenas aprendeu a disfarçar melhor.
No Brasil de Lula 3.0, as mulheres seguem sendo notas de rodapé em discursos sobre igualdade. Um governo que promete revolução de gênero, mas entrega apenas redecoração de gabinete.
E o velho Clube do Bolinha continua firme, agora com Wi-Fi, hashtag e assessoria de diversidade.
- Rod Pereira
Dramaturgo, estrategista de marketing, membro da Academia de Letras de Porto Seguro, cronista e provocador de ideias. “Meu texto é farpa e abraço, caos e poesia.Sempre com uma boa dose de ironia e humanidade”.

