POR REDAÇÃO
O cenário de conflitos agrários no Extremo Sul da Bahia ganhou um novo e tenso capítulo com a prisão do cacique Suruí Pataxó, da Terra Indígena Barra Velha. Em entrevista exclusiva aos jornalistas Julia Dolce e João Ambrósio do site O Joio e o Trigo, a liderança indígena afirmou ser alvo de uma estratégia de criminalização orquestrada pelos chamados “coronéis” da região — grandes proprietários de terras que disputam áreas de retomada com o povo Pataxó.
Suruí, que já havia sido detido em julho de 2025 e recentemente enfrentou uma nova ordem de prisão em março de 2026 durante a Operação Sombras da Mata II, sustenta que as acusações de porte ilegal de armas e associação criminosa são, na verdade, uma resposta às suas denúncias contra a ocupação irregular de terras indígenas. “Fui preso porque denunciei os coronéis de Porto Seguro”, declarou o cacique ao portal.

O conflito e a “Justiça de um lado só”
A defesa do cacique e organizações como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) argumentam que as armas encontradas com a liderança eram ferramentas de autodefesa, uma vez que Suruí integra o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos devido a constantes ameaças de morte. Segundo o relato publicado no O Joio e o Trigo, há uma disparidade no tratamento das forças de segurança: enquanto lideranças indígenas são presas sob acusação de formação de milícia, ataques armados contra aldeias e o histórico de violência dos latifundiários locais raramente resultam em punições severas.
A matéria destaca que a escalada da violência na região está diretamente ligada à morosidade na demarcação da TI Barra Velha do Monte Pascoal e ao fortalecimento de movimentos como o “Invasão Zero”, que conta com o apoio de políticos e fazendeiros locais.

Contexto de resistência
Para os Pataxó, a prisão de Suruí e de outras lideranças — como o ex-coordenador da Funai, Aruã Pataxó — faz parte de um “conluio” entre o poder econômico regional e setores do aparato estatal para desmobilizar as retomadas de terra. “Eles querem tirar a cabeça do movimento para que o corpo pare de lutar”, afirmou Suruí na reportagem.
A matéria original, que detalha os bastidores dessa disputa por território e os impactos da tese do Marco Temporal na vida das comunidades, pode ser lida na íntegra no site de jornalismo investigativo O Joio e o Trigo, através do link: https://ojoioeotrigo.com.br/2026/03/fui-preso-porque-denunciei-os-coroneis-de-porto-seguro-diz-cacique-surui-pataxo/.


