POR ROD PEREIRA
O Brasil, esse imenso hospício a céu aberto, resolveu se internar de vez na seção de geriatria. Estamos diante de um espetáculo melancólico, uma ópera bufa onde os protagonistas, suados e ofegantes, tentam convencer a plateia de que ainda são os mesmos de vinte anos atrás. De um lado, o Presidente; do outro, o Menino Ney. Dois monumentos ao anacronismo, abraçados a glórias mofadas enquanto o mundo gira e o futuro nos olha com uma mistura de tédio e pena.
A Blindagem como Airbag e o Veto do Destino
Lula agora joga na retranca absoluta. Suas manobras para o STF não são movimentos de um estadista visionário, mas o desespero de quem está com o tornozelo inchado e precisa de um juiz amigo para não ser expulso de campo. É a blindagem institucional: ele não busca o saber jurídico que ilumina a nação, ele busca o conforto do colo.
Mas o feitiço começou a falhar. A derrota na indicação do “Messias” para a Corte foi o sinal definitivo: o apito do Congresso já não obedece ao mestre. Ver um nome de sua estrita confiança ser barrado é o equivalente político a um pênalti isolado na arquibancada. É o sintoma claro de que a glória acabou, o “encantamento” murchou e o poder de articulação hoje tem o fôlego de um fumante subindo a ladeira. Lula coloca seus fiéis escudeiros na vitrine, mas o mercado já não compra o estoque antigo. É a política do “meu bunker, minha vida” sofrendo infiltrações por todos os lados.
O Abdômen da Nostalgia
E o que dizer do nosso eterno “menino”? Neymar é a metáfora perfeita do Brasil que se recusa a crescer, preferindo o playground ao pódio. Lá está ele, com a agilidade de um buffet de casamento e uma forma física que sugere mais noitadas regadas a pagode do que treinos de alta performance.
Neymar hoje é um holograma de si mesmo. Ele corre em campo como quem caminha penosamente para o caixa eletrônico. Vive da renda de um talento que já foi ouro puro, mas que hoje parece uma nota de três reais: todo mundo sabe que é falsa, mas alguns fingem que aceitam pelo valor sentimental.
O Patético Sonho da Glória Eterna
O paralelo é de uma ironia cortante, quase sádica. Ambos estão fora de forma — um política, o outro fisicamente — mas a empáfia continua intacta.
- Lula olha para as eleições de 2026 com o brilho nos olhos de quem acha que o povo ainda sente o cheiro da picanha de 2008. Ele quer a reeleição para provar que o tempo é uma invenção burguesa, ignorando que cada derrota nas indicações é um prego na tampa do caixão da sua onipotência.
- Neymar mira a Copa com a mesma ilusão de um jogador de pôquer falido que aposta as calças na última rodada. Ele quer o Hexa para calar os críticos, sem perceber que o único silêncio que resta é o da sua própria relevância desaparecendo no vácuo dos stories.

Estamos presos nesse loop infinito. O Brasil virou uma grande mesa de bar onde dois veteranos contam mentiras sobre o quanto eram rápidos, enquanto a conta chega — caríssima — e o garçom já está puxando as cadeiras. Lula e Neymar são o nosso espelho: estamos cansados, fora de forma e perdidos na própria reputação.



