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“Saudações ancestrais a todas as borboletas, bichos-preguiça, arraias, cobras, tamanduás-bandeiras, saruês […]”. É com uma saudação aos animais que vivem no território Pataxó que começa “Um Manifesto de Bichos”, texto concebido pela escritora e pesquisadora indígena Trudruá Dorrico, coordenadora curatorial do Festival Caju de Leitores.
Realizado nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2026, na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA), o Caju de Leitores terá o manifesto como fio condutor de sua programação. O tema atravessará rodas de conversa, contações de histórias, encontros literários e atividades desenvolvidas com as escolas.
Mais do que falar sobre a fauna, “Um Manifesto de Bichos” propõe reconhecer os animais como seres que participam das histórias, das memórias e dos conhecimentos compartilhados entre gerações. O texto estabelece relações entre bichos, ancestralidade, território, língua, natureza e os modos indígenas de compreender a existência.
Para Trudruá Dorrico, honrar os bichos também significa reconhecer aqueles que habitavam estas terras antes da presença humana. No manifesto, a escritora os apresenta como seres ancestrais que primeiro pisaram, voaram e nadaram em Abya Yala, nome ancestral do continente denominado Américas pela colonização.
“Nas narrativas indígenas, os bichos ensinam sobre coragem, inteligência, afetos, vida e morte. Suas histórias também ajudam a transmitir conhecimentos sobre o território e as relações que sustentam a vida coletiva”, declara.

Animais, memória e território Pataxó
A escolha do tema dialoga diretamente com o território onde o festival acontece e com a presença dos animais nas narrativas, nos saberes e na identidade cultural do povo Pataxó. Para o escritor Sairi Pataxó, anfitrião do Caju de Leitores, o tema aproxima literatura, natureza e território e contribui para que crianças e jovens reconheçam os animais da região como parte viva de sua memória e de sua formação.
“O tema nasce da importância de manter crianças e jovens em contato com os animais da região. Mas essa relação com os bichos vem de muito antes, de uma ligação milenar dos povos indígenas com o território e com tudo o que vive nele. São animais que fazem parte da nossa ancestralidade, das histórias dos nossos mais velhos e dos conhecimentos que foram passando de geração em geração. Esse contato também ensina a conhecer o território, seus sinais e suas mudanças, mantendo viva uma relação que nossos ancestrais já construíram com esses seres”, afirma Sairi Pataxó.
Ao colocar os bichos no centro da programação, o festival propõe uma reflexão sobre outras formas de convivência entre seres humanos, animais e território. O manifesto também chama a atenção para a preservação ambiental e para a importância dos povos indígenas na proteção da natureza e na manutenção da vida.

Sobre o festival
Realizado desde 2022, o Festival Caju de Leitores tem como eixos a formação de leitores, a ampliação do acesso à literatura indígena e o encontro entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades.
Até 2025, o Caju de Leitores alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações. Em 2026, o festival realizou, pela primeira vez, uma ação itinerante no mês de maio, ampliando sua presença nas escolas e em outras comunidades da região.
A programação gratuita da 5ª edição contará com rodas de conversa, encontros com autores, contações de histórias, apresentações culturais, atividades educativas e ações relacionadas à literatura, à oralidade, à língua, ao território e à natureza.

Crédito: Festival Caju de Leitores
Serviço
O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.





A programação da 5ª edição do Caju é gratuita e contará com rodas de conversa, encontros com autores, contações de histórias, entre outras atividades.
Informações por Débora do Carmo e Gabriela Toledo

