REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO
Neste fim de semana de 5 e 6 de setembro de 2026, com o calendário eleitoral afunilando as escolhas para a presidência e os governos estaduais, os dados do Google, do TikTok e do Instagram mostram que a política domina os ecossistemas digitais do país. O volume de buscas e interações impressiona. Ele revela como a informação circula, como escândalos em diferentes esferas do poder repercutem e como o eleitorado se manifesta em um ambiente hiperconectado.
O ecossistema do engajamento e a busca por orientação
A dinâmica de consumo nas plataformas digitais revela dois comportamentos distintos. Enquanto o Google é acionado para pesquisas sobre intenções de voto e agendas de debate — um movimento que sinaliza busca por orientação e dados —, o Instagram e o TikTok funcionam sob o signo do impacto emocional.
Nessas redes de vídeo curto, o debate político ganha ritmo de entretenimento. Os recortes de confrontos, as provocações e as postagens de militância geram milhões de visualizações porque acionam mecanismos de identificação rápida e indignação. O engajamento elevado, portanto, mede mais a intensidade das paixões e das rejeições do que o nível de profundidade do debate programático.

Automação, militância e a validação do eleitor real
Parte relevante da movimentação nas redes sociais é impulsionada por redes organizadas e estratégias de amplificação artificial. Relatórios sobre comportamento digital e integridade na rede mostram que disparos automatizados e perfis inautênticos atuam para pautar temas e inflar dados de audiência.
No entanto, a adesão orgânica do cidadão é real. Ao consumir esses conteúdos, o eleitor absorve as narrativas em circulação e passa a replicá-las voluntariamente. O ato de compartilhar um vídeo ou adotar uma tag funciona, em muitos casos, como um gesto de pertencimento social e afirmação de identidade em relação ao seu grupo de convívio.
A ilusão da polarização total e o pragmatismo do meio
A visibilidade dos polos nas redes sociais cria a impressão de que o país está dividido de forma irredutível entre posições antagônicas. A análise do comportamento eleitoral, contudo, mostra que os algoritmos tendem a superrepresentar os discursos mais estridentes.
Estudos sobre o eleitorado brasileiro indicam a coexistência de diferentes perfis:
- Militância convicta: Uma parcela atenta e engajada, alinhada à esquerda ou à direita, que utiliza os ambientes digitais para defender suas pautas e atacar adversários.
- O eleitor pragmático: Uma ampla camada da população que não se define por rótulos ideológicos rígidos e raramente produz conteúdo político nas redes. Suas preocupações concentram-se em fatores concretos do cotidiano, como renda, inflação, segurança e acesso a serviços públicos.
- O voto por rejeição: A conduta de “ser do contra” consolidou-se como um fator relevante na decisão das urnas. Para muitos cidadãos, a escolha não decorre do entusiasmo por um projeto, mas da disposição de conter a alternativa oposta.

A narrativa do posicionamento frente à realidade das urnas
Em um ambiente digital que cobra posições definidas, a exposição política passou a operar como uma convenção social. Contudo, pesquisas de opinião e levantamentos de campo apontam uma distância entre o ruído das redes e a conduta no momento da votação.
O barulho digital, alimentado por algoritmos e estratégias de comunicação, reflete o clima da disputa de narrativas. Mas a decisão final da maioria do eleitorado continua ancorada em fatores objetivos. Por trás das métricas de visualização e do empenho dos militantes virtuais, a dinâmica real das eleições é decidida pelo pragmatismo do cidadão diante das suas necessidades diárias.


