Por: Redação Mais Bahia
Uma decisão histórica no setor varejista está mexendo com a rotina de consumidores e empresários: a partir de 1º de março, supermercados, atacarejos e lojas de material de construção deixarão de abrir aos domingos. No entanto, o Mais Bahia traz o esclarecimento necessário: a medida, fruto de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), é restrita ao estado do Espírito Santo. Na Bahia, o funcionamento dominical segue as regras locais, mas o “efeito dominó” já acende o alerta em cidades como Porto Seguro e Eunápolis.
O que diz o acordo (O modelo Capixaba) A mudança no estado vizinho não veio por decreto governamental, mas por um acordo entre o sindicato patronal (ACAPS) e o dos trabalhadores (Sindicomerciários).
- O benefício para o trabalhador: Além do descanso dominical garantido para quem tem carteira assinada, o acordo incluiu um reajuste salarial de 7% (elevando o piso para R$ 1.650,00) e um auxílio-alimentação de R$ 150,00.
- A exceção: Mercadinhos de bairro e comércios familiares onde os próprios donos trabalham (sem funcionários registrados no dia) continuam autorizados a abrir.

Costa do Descobrimento: Porto Seguro e Eunápolis na mira? Embora a Bahia ainda não tenha adotado essa proibição geral, o debate ganha força na Costa do Descobrimento.
- Em Porto Seguro: O setor hoteleiro e turístico observa com cautela. O fechamento aos domingos poderia impactar o abastecimento de pousadas e a conveniência dos turistas que circulam no fim de semana.
- Em Eunápolis: Como polo comercial regional, os grandes atacarejos da BR-101 são o destino de muitas famílias no domingo. Um fechamento aqui exigiria uma mudança radical nos hábitos de consumo da região.
O “X” da Questão: o que dizem as entidades? Os sindicatos baianos acompanham a experiência capixaba como um “laboratório”. Para os representantes dos trabalhadores, é a chance de humanizar a jornada e garantir o convívio familiar. Já a Associação Bahiana de Supermercados (Abase) informou que, por enquanto, não há projetos semelhantes em discussão oficial para o interior da Bahia, mas o setor permanece atento aos custos operacionais.
Análise do Mais Bahia: o que está por trás disso? Não se engane: o fechamento aos domingos também interessa a parte do empresariado. Manter uma estrutura gigante aberta (energia, ar-condicionado e pessoal com hora extra) muitas vezes não é compensado pelo faturamento de um domingo morno. O “bem-estar do funcionário” acaba sendo um ponto de convergência que une o útil ao agradável para as grandes redes que buscam eficiência máxima.


