Hoje a coluna foge do roteiro habitual. Ela nasce da necessidade sincera de prestar uma homenagem. Uma despedida escrita com respeito, memória e afeto.
É dedicada a Luzio Nunes. Para muitos, O Gordo. Para mim, sempre Luzim.
Conheci Luzim em 2012, quando o procurei para pedir ajuda na divulgação de uma peça de teatro. A conversa fluiu fácil e dali em diante seguimos trocando ideias, projetos e visões sobre comunicação. Em 2016, esse vínculo se transformou em trabalho. Fui para o Namidia News inicialmente para orientar a apresentação de um programa de moda, o 5 Dicas. O que era pontual virou direção, depois outros programas, e logo eu já colaborava diretamente na produção de vídeos e reportagens.
Luzim era um apaixonado. Pela comunicação, sim. Mas antes de tudo pela vida. Pela família, pela política, pelas ideias. Falava dos filhos com brilho nos olhos e com o mesmo entusiasmo com que discutia cenários eleitorais, estratégias de campanha ou os rumos da cidade. Política, para ele, nunca foi só disputa de poder. Era ferramenta de transformação, espaço de debate, exercício de leitura da realidade. E ideias eram o combustível diário. Sempre havia uma nova, um novo formato, um novo caminho possível.
Na comunicação, era um visionário. Via antes, pensava à frente, enxergava possibilidades onde muitos ainda não viam nada. As reuniões eram intensas, criativas, quase sempre fervilhantes. Testamos formatos, apostamos em pessoas diante e atrás das câmeras, erramos, acertamos e aprendemos muito. Comunicação viva, pulsante, como ele acreditava que deveria ser.
No Carnaval do Namidia em 2020, trouxemos Sophia Black para a cobertura. O sucesso foi imediato, mas o processo não veio sem debates intensos. Havia discussões ferrenhas com Anna Dias, hoje na Record, sobre o papel, o limite e a postura profissional do repórter. Tudo era acompanhado de perto por Luzim, atento, ouvindo, mediando, formando. Ele entendia que o embate também educa quando há propósito.
Quando a então apresentadora do 5 Dicas pediu a minha saída, Luzim foi direto. Disse não. Ela saiu, o projeto seguiu. Com a autorização dele, testamos Luciana Bittencourt, Lucia Plomer, Jana Gusmão e tantas outras pessoas. Havia ali um desejo claro de garimpar talentos, de construir uma programação de reportagens e vídeos focada em Porto Seguro, com a cara de Porto Seguro. Talvez até de ditar um novo padrão de comunicação para a região. Luzim acreditava nisso.
Depois veio a campanha. Trabalhamos juntos na reeleição de Agnelo, em Cabrália. Também estava conosco Fábio Del Porto. Pense bem. Um marketing de peso. Éramos três gordos cuidando do marketing e da comunicação da campanha. Os bastidores eram os melhores. Reuniões intensas, opiniões afiadas, muito humor e, muitas vezes, risadas até mesmo às custas do nosso próprio contratante. Foi um período mais duro, de convivência intensa, nem sempre simples. Ainda assim, profundamente formador. Com Luzim, até os momentos difíceis ensinavam alguma coisa.

Nesse período em que Luzim falou sobre a própria saúde, confesso que foi um baque. Um choque silencioso. E, ao mesmo tempo, um alerta pessoal para mim. Seguimos trocando algumas mensagens, sempre com cuidado para não invadir, para não incomodar. Palavras breves, afetuosas, carregadas de pensamento positivo. Havia ali uma tentativa sincera de manter a esperança viva, mesmo quando o silêncio dizia mais do que qualquer resposta.
Luzim foi um grande pai. Não apenas de Talles, Thais, Louise, Valentina, Malu e Maitê. Foi pai também de ideias, de projetos, de profissionais e de amigos. Gente que cresceu sob seu olhar atento, exigente e, ao mesmo tempo, generoso.
Hoje, Luzim deixa saudade. Daquelas que não se disfarçam. Deixa um vazio real, não só na comunicação local, mas na convivência, nas conversas, nas reuniões que sempre terminavam com mais ideias do que respostas.
Fica a gratidão. Por tudo o que aprendi, por tudo o que construímos, pelas conversas, pelos embates, pelo humor e pela amizade.
Luzim foi, verdadeiramente, um grande homem.



3 Comentários
Texto irretocável, sincero, amoroso e de reco reco.ento de um grande talento da comunicação regional. Me convidou uma pi dias vezes pra nos juntarmos. Confesso que foi o único convite desse tipo que me arrependo de não ter aceito. Tínhamos posturas diferentes e visão divergente sibre várias coisas. Mas nos respeitávamos. Meu sentimento de haver perdido quando disse não é sincero. Torci.muiyo pra que vencesse a batalha. Falei com ele ainda no hospital, em São Paulo. Pena que não deu, companheiro!
Texto irretocável, sincero, amoroso e de reconhecimento a um grande talento da comunicação regional. Me convidou uma ou duas vezes pra nos juntarmos. Confesso que foi o único convite desse tipo que me arrependo de não ter aceito. Tínhamos posturas diferentes e visão divergente sobre várias coisas. Mas nos respeitávamos. Meu sentimento de haver perdido muito quando disse não ao seu convite é sincero. Nós últimos meses torci muito pra que vencesse a batalha. Orei (era um pedido recorrente nas suas mensagens. Falei com ele ainda no hospital, em São Paulo e uma vez quando já estava aqui pra o Natal com a família. Pena que não deu, companheiro! Vá em paz!
Linda homenagem, o Gordo deixará muitas saudades, descanse em paz lindão (carinhosamente como ele me chamava)