DA REDAÇÃO DO MAIS BAHIA
PORTO SEGURO – A saúde pública no Extremo Sul da Bahia enfrenta um novo capítulo de crise. Pacientes e familiares que buscam atendimento no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM) denunciam uma situação de abandono institucional, marcada por esperas que ultrapassam 24 horas, falta de profissionais nas escalas e falhas graves na regulação de leitos.
Relatos de descaso
Entre os casos mais alarmantes que circulam na região, destaca-se o de uma idosa de 86 anos. Com sintomas clássicos de infarto, a paciente teria aguardado cerca de um dia inteiro para receber o primeiro atendimento médico efetivo. Segundo testemunhas, a unidade tem operado com o sistema de triagem, mas o fluxo trava logo em seguida: “Eles medem a pressão e a temperatura, mas não tem médico para dar o diagnóstico ou passar o remédio”, relatou um acompanhante que preferiu não se identificar.
A escassez de profissionais tem forçado cidadãos a buscarem socorro em UPAs da região ou até mesmo em cidades vizinhas, sobrecarregando o sistema municipal de Porto Seguro.
Crise de gestão e infraestrutura
Embora o Governo do Estado tenha anunciado recentemente, em meados de fevereiro de 2026, um investimento de R$ 2,27 milhões para a reforma da emergência, a realidade nos corredores parece não acompanhar o cronograma de obras. O hospital passou por uma troca de gestão turbulenta no último trimestre de 2025, após o encerramento do contrato com a antiga Organização Social (IGH) por falhas na prestação de serviço.
As denúncias atuais apontam que:
- Dificuldade de transferência: Pacientes que necessitam de suporte especializado em outras unidades ficam “presos” no HRDLEM por falta de agilidade no sistema de regulação.
- Déficit de especialistas: Escalas de médicos em áreas críticas, como cardiologia e obstetrícia, seguem apresentando lacunas.
- Condições de espera: Familiares relatam falta de informações claras e infraestrutura inadequada para quem aguarda atendimento por longos períodos.
Contraponto
Procurada para comentar as denúncias, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ainda não emitiu uma nota específica sobre o caso da idosa, mas reforça que a unidade passa por um processo de reestruturação e que a nova estrutura da emergência visa justamente reduzir o tempo de resposta para casos graves.


