REDAÇÃO | MAIS BAHIA
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta terça-feira (3), os dados consolidados do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao ano de 2025, revelando um crescimento de 2,3%. Embora o resultado marque o quinto ano consecutivo de expansão da economia brasileira, o número confirma uma trajetória de desaceleração quando comparado à alta de 3,4% registrada em 2024. O desempenho foi amplamente sustentado pela força do setor agropecuário, que disparou 11,7% no período, compensando o ritmo mais lento da indústria e do setor de serviços.
No detalhamento dos dados, o consumo das famílias apresentou uma moderação significativa, reflexo direto da manutenção de taxas de juros em patamares restritivos ao longo de quase todo o ano passado. Por outro lado, o setor externo desempenhou um papel crucial, com o Brasil batendo recordes de exportação de commodities, especialmente soja e minério de ferro. Analistas de mercado apontam que, apesar do “pouso suave” — termo técnico para uma desaceleração controlada sem queda brusca na atividade —, o país enfrenta agora o desafio de manter a tração em 2026, diante de um cenário global de incertezas energéticas e pressão inflacionária.

O governo, por meio do Ministério da Fazenda, celebrou a resiliência da economia, destacando que o crescimento veio acima das projeções pessimistas feitas no início do primeiro semestre de 2025. No entanto, o debate entre economistas permanece aceso: a dependência excessiva do agronegócio levanta questionamentos sobre a sustentabilidade desse crescimento a longo prazo, especialmente com a indústria de transformação operando com margens estreitas e investimentos em infraestrutura ainda aquém do necessário para garantir um salto de produtividade robusto nos próximos anos.


