Na quinta-feira, 1º de agosto, a Polícia Federal realizou uma operação na residência do empresário baiano Cleber Isaac Ferraz Soares, como parte das investigações sobre a compra fracassada de 300 respiradores. Esses equipamentos, pagos antecipadamente, nunca chegaram ao Brasil, deixando os estados do Nordeste desamparados durante a pandemia.
A transação, realizada pelo Consórcio Nordeste por 48 milhões de reais, envolveu Cleber Isaac, que recebeu uma quantia significativa para supostamente facilitar a aquisição dos ventiladores. Durante a operação, os agentes apreenderam documentos e dispositivos eletrônicos na casa de Cleber, que havia endossado a contratação de uma pequena empresa especializada em produtos à base de canabidiol. Ele alegava ter influência junto ao então governador da Bahia, Rui Costa, e à conselheira do Tribunal de Contas estadual, Aline Peixoto, esposa do ministro.
Cristiana Prestes Taddeo, dona da empresa responsável pela importação dos respiradores, está colaborando com a justiça em troca de benefícios judiciais. Ela revelou que Cleber Isaac afirmava falar em nome de Rui Costa, presidente do Consórcio Nordeste na época, e se apresentava como amigo íntimo do atual chefe da Casa Civil do governo Lula. Cristiana relatou que Cleber mostrava prints de conversas com Rui Costa e tinha um contato no celular registrado como ‘Doutor’, que ele dizia ser um auxiliar de Lula.
A subprocuradora Lindôra Araújo apontou que as investigações indicam crimes de estelionato, fraude em licitação, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção, possivelmente envolvendo o governador Rui Costa.
Como colaboradora da Justiça, Cristiana é obrigada a dizer a verdade, sob pena de voltar à prisão. Ela foi presa no maior escândalo de desvio de dinheiro público da pandemia, devolveu milhões de reais aos cofres públicos e, discretamente, conseguiu que sua empresa, Hempcare Pharma, voltasse a ser apta a participar de contratações governamentais.
Uma reportagem da VEJA, que será publicada neste fim de semana, revela que uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) está investigando a responsabilidade do ex-ministro Carlos Gabas, então braço direito de Rui Costa no Consórcio Nordeste. Um laudo confidencial do Ministério Público aponta um sobrepreço de até 318% na compra dos respiradores que nunca foram entregues pela Hempcare.
Rui Costa e Carlos Gabas não se manifestaram sobre o caso. Em nota divulgada em abril, o ministro afirmou que ordenou a investigação e espera que os responsáveis sejam punidos pelos crimes, incluindo o desvio de dinheiro público e o impedimento cruel de salvar vidas humanas. Cleber Isaac não foi localizado para comentar.
Redação do +Bahia


