REDAÇÃO | ARCANO SOLAR | POR FABIO DEL PORTO |
Muitas vezes, a nossa percepção da realidade se confunde com as dores que não se explicam e com as histórias mal contadas que nos cercam. Vivemos jogos que nunca ganhamos e mastigamos o gosto amargo de desilusões que ficam presas entre o coração e o pensar. Sim, a vida é complicada, mas é justamente nesse instante de opacidade que uma chama de vitalidade insiste em nos mostrar o caminho.
Aprendi que a felicidade não é um pódio, um troféu ou um certificado de “evolução espiritual”. A verdadeira felicidade não tolera o ato de passar por cima do outro, nem a omissão em defender quem amamos. Quantas vezes gritamos por ajuda aos “mestres da sabedoria” e recebemos apenas um discurso que finge se importar, mas uma prática que não condiz com a verdade?
O Templo que Inventa a Cor
Jesus, o verdadeiro Mestre — e aqui falo de convicção, não de religiosidade de praça ou de peitos inchados pela arrogância —, nos ensinou que a verdade liberta. Mas a quem ela liberta? Liberta aquele que escreve, aquele que lê e a própria verdade que estava amordaçada por instituições, egrégoras e partidos.
Como nos versos de Milton Nascimento em Anima, estamos todos nessa procura de nos lapidar, de nos recriar. E nessa busca, descobrimos que a “casa está aberta”. É nessa Casa Eu onde mora o verdadeiro mestre, o mago da luz. Não é preciso dobrar o joelho em praça pública para provar fé; é preciso ter a coragem de ser a própria alma.
O Êxodo para a Liberdade
Hoje, vemos um movimento silencioso, mas poderoso: muitas pessoas estão saindo de religiões e grupos fechados para seguir o caminho solo. O motivo é simples, ainda que doloroso: os exemplos de liderança estão longe do que pregam. Líderes, pastores e políticos penduram-se em doutrinas que não praticam, julgam e açoitam, afirmando que só o caminho deles é o correto, enquanto ignoram o sofrimento humano ao lado.
Quando o que achamos ser evolução é apenas vaidade, orgulho e ciúme, o melhor a fazer é sair. É pegar as próprias vergonhas e sair de fininho, deixando que as línguas queimem no julgamento alheio. Afinal, a nossa medida é a busca pela paz.

O Benefício de Caminhar Só
Caminhar sozinho não é solidão; é autonomia. É entender que se você quer mudar, saia de onde está. Se sente que não tem o que busca, sinta como se já tivesse, pois é assim que a vida se molda.
A Verdade é Interna. Por que se apegar ao que uma instituição prega apenas para anular a sua própria busca? O “vento norte” que muitos precisam não virá de um sermão, mas do sol que nasce dentro de cada um.
A “Casa Eu é de Coragem”. Ser “casa aberta” significa não precisar de intermediários para falar com o Criador ou para entender a própria essência.

O Destino é a Paz
Talvez o caminho solo doa no início. Deixar o que nos fazia bem ao espírito é um parto. Mas, usando a vida como tela, percebemos que o objetivo final não é estar onde os outros dizem que devemos, mas onde a nossa alma se sente em casa.
Que estas palavras cheguem a outras “Casas Eu” que estão por aí, buscando o prumo e a luz. Que o afeto que há no seu ser seja a sua única doutrina. O mestre mora dentro. A porta está aberta. Entre e seja.


