REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO
PORTO SEGURO – Após quase duas décadas de espera, o Tribunal do Júri de Itabuna proferiu, na tarde desta quarta-feira (6), a sentença que encerra um dos episódios mais sombrios da história recente do Extremo Sul da Bahia. Os policiais militares Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa foram condenados a mais de 38 anos de reclusão pelo assassinato dos professores e líderes sindicais Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira dos Santos.
O crime, ocorrido em setembro de 2009, foi caracterizado como uma emboscada brutal. As vítimas, que tinham forte atuação na defesa dos direitos da categoria em Porto Seguro, foram interceptadas e executadas a tiros na estrada que liga a sede do município ao distrito de Itabela.
A Sentença e os Agravantes
A decisão do júri refletiu a gravidade e o planejamento da ação. A dosimetria da pena considerou circunstâncias específicas que elevaram a punição para além de três décadas:
- Agravante Familiar: No caso do professor Álvaro Henrique, a pena foi ainda mais rigorosa devido ao fato de ele ter deixado um filho com deficiência, que na época do crime era apenas um bebê.
- Cumprimento da Pena: Os réus foram condenados em regime fechado, embora o tempo de prisão preventiva já decorrido possa ser detraído da pena total.
A Sombra da Impunidade
Apesar da condenação dos executores, o desfecho traz um sabor agridoce para a categoria e familiares. O suposto mandante do crime teve sua punibilidade extinta. Devido à morosidade do processo, que se arrastou por 17 anos entre recursos e adiamentos, ocorreu a prescrição, o que juridicamente impede que ele seja punido, mesmo diante das evidências apresentadas ao longo da instrução.
A condenação de Sandoval e Joilson é um passo importante para a memória de Álvaro e Elisney.


