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ALERTA CLIMÁTICO – O fantasma do Super El Niño está de volta: o que esperar na Bahia e na Costa do Descobrimento neste segundo semestre

16 de junho de 2026
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REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO COM FONTES |

O clima no planeta está dando sinais claros de que não está para brincadeira neste ano de 2026. Organismos oficiais como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) já confirmaram: as condições do fenômeno El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico Equatorial e as chances de enfrentarmos um evento de intensidade severa — o temido “Super El Niño” — ultrapassaram os 37% de probabilidade, devendo se estender até o início de 2027.

Para quem vive na Bahia, especialmente na nossa pulsante Costa do Descobrimento, o aviso que vem dos especialistas é um só: é hora de acender o sinal de alerta e se planejar. O fenômeno promete mexer com o bolso, com a terra e com o turismo.

O que este El Niño tem de diferente?

Se você puxar pela memória, vai lembrar que o El Niño de 2023/2024 quebrou recordes de calor, mas as chuvas na Bahia não sumiram por completo porque as águas do Oceano Atlântico também estavam excepcionalmente quentes, equilibrando o jogo.

A diferença crucial em 2026 é o tempo de resposta e o efeito acumulado. Conforme aponta a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os intervalos entre os eventos climáticos extremos estão mais curtos e a duração deles se prolongou. Estamos entrando em um novo ciclo de forte aquecimento sem que a terra e os reservatórios tenham se recuperado totalmente dos estresses anteriores. Cientistas alertam que este ciclo pode figurar entre os mais intensos da história recente em termos de anomalias térmicas globais.

Calor extremo e chuvas severas

Os impactos na Bahia e na Costa do Descobrimento

O El Niño atua bagunçando a circulação de ventos. No Sul do país, ele despeja tempestades; aqui no Nordeste e na faixa norte de Minas e Bahia, ele bloqueia as frentes frias, resultando em calor extremo e chuvas severamente irregulares e abaixo da média.

Na Costa do Descobrimento — compreendendo municípios polo como Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz Cabrália —, os efeitos se dividem em três frentes críticas:

Agricultura: O calcanhar de Aquiles do Matopiba e do nosso Extremo Sul Baiano

A agricultura de sequeiro (aquela que depende exclusivamente da água da chuva) é a primeira a sentir o golpe. No oeste baiano (Matopiba- Região formada pelo estado do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia, onde ocorreu forte expansão agrícola), o atraso e a irregularidade das chuvas ameaçam o calendário da soja e do milho.

Aqui na nossa região, culturas fortes como o café, o mamão e as pastagens para a pecuária leiteira e de corte vão exigir atenção redobrada. O solo sofrerá com a forte evaporação. A recomendação da assessoria técnica da CNA é clara: o produtor precisa usar sementes mais resistentes ao estresse hídrico, escalonar o plantio e buscar, mais do que nunca, o seguro rural para mitigar as perdas na safra 2026/2027.

Na Bahia, especialmente na nossa pulsante Costa do Descobrimento, o aviso que vem dos especialistas é um só: é hora de acender o sinal de alerta e se planejar.

Turismo: Sol garantido, mas com desafios estruturais

Para o turismo de praia da Costa do Descobrimento, menos chuva costuma significar praias cheias e dias ensolarados — o cenário perfeito para os turistas de fora. No entanto, o calor extremo acarreta riscos colaterais graves:

  • Abastecimento de água: O consumo nas redes hoteleiras e residenciais dispara ao mesmo tempo em que os rios e lençóis freáticos locais baixam.
  • Estresse térmico: Altas temperaturas exigem cuidados de saúde com turistas e trabalhadores locais.
  • Branqueamento de corais: O aquecimento das águas do mar ameaça diretamente a rica biodiversidade dos recifes de fora em Porto Seguro e arredores, prejudicando os passeios de mergulho ecológico.

Economia e Energia: O risco do bolso pesado

O bolso do cidadão vai sentir o reflexo nas gôndolas dos supermercados. Com a quebra de produção de hortifrútis e grãos, a tendência é que o preço dos alimentos suba na primavera e no verão. Além disso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) monitora o risco de queda na vazão das hidrelétricas do Nordeste, o que pode encarecer a conta de luz devido ao acionamento de usinas térmicas.

Rios e reservatórios podem sofrer – Nordeste e faixa norte de Minas. Bloqueio das frentes frias, resultando em calor extremo.

Devemos nos preocupar? E como minimizar os efeitos?

O pânico não resolve o problema, o planejamento sim. Não estamos de mãos atadas diante da natureza. Especialistas apontam caminhos práticos para os setores público e privado mitigarem os impactos:

  • Gestão hídrica rigorosa: Municípios precisam revisar imediatamente seus planos de contingência de água, combatendo o desperdício em hotéis e residências antes que o período mais crítico se instale no final do inverno.
  • Manejo agrícola inteligente: Pequenos e grandes produtores devem investir em técnicas de retenção de umidade no solo, como a cobertura morta (palhada), e otimizar os sistemas de irrigação para evitar perdas por evaporação nas horas mais quentes do dia.
  • Prevenção a incêndios: O Ministério do Meio Ambiente já declarou estado de emergência ambiental em áreas de risco para o segundo semestre de 2026. No Extremo Sul da Bahia, áreas de pastagem e remanescentes de Mata Atlântica precisam de vigilância total contra queimadas criminosas ou acidentais causadas pelo mato seco.

O Super El Niño de 2026 é uma realidade batendo à nossa porta. Cabe a nós, baianos, usar a informação e a técnica para transformar o alerta em resiliência.

fontes:

INMET (Instituto Nacional de Meteorologia): Fonte das notas técnicas emitidas em junho de 2026 que confirmam que as condições do El Niño já estão oficialmente presentes e instaladas no Pacífico Equatorial, com previsão de se estenderem até o verão austral de 2026/2027.

CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos): Utilizado para a análise dos modelos climáticos de probabilidade, dinâmicas de acoplamento oceano-atmosfera e o bloqueio de frentes frias no Nordeste.

NOAA (Administração Oceanográfica e Atmosférica Nacional dos EUA): Agência internacional de referência que oficializou o início do ciclo do El Niño atual e emitiu os alertas de alta probabilidade para um evento de forte intensidade (“Super El Niño”).

APAC (Agência Pernambucana de Águas e Clima): Dados específicos da meteorologista Edivânia Santos detalhando a subida recente da probabilidade de um Super El Niño de 25% para 37%, além do comparativo técnico com o comportamento do Oceano Atlântico no ciclo de 2023/2024.

CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil): Declarações e análises técnicas de Danyella Bomfim (assessora técnica da CNA), que fundamentaram o impacto nas safras brasileiras 2026/2027, as perdas potenciais na região do Matopiba (incluindo o oeste e extensão da Bahia), a dinâmica de atraso do plantio da soja e a redução de produtividade de culturas de sequeiro.

ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico): Dados de projeção sobre o impacto da redução de chuvas na vazão das bacias hidrográficas do Nordeste e o consequente monitoramento do risco energético e acionamento de usinas térmicas.

MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima): Portarias e decretos oficiais estabelecendo o estado de emergência ambiental preventiva em regiões de risco no segundo semestre de 2026 para o combate e resposta rápida a incêndios florestais e agrícolas.

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