A política brasileira sempre teve seus personagens excêntricos, mas raros foram aqueles capazes de mudar o rumo eleitoral do país apenas com factoides, bravatas e surtos performáticos. Em 2025, porém, surgiu um protagonista inesperado. Não veio do PT, nem de marqueteiro caro, nem de consultoria internacional. Veio da própria direita. O 03. Ele mesmo. O homem que nenhum petista teria coragem de sonhar como aliado involuntário.
Eduardo Bolsonaro transformou seu ano numa obra de arte involuntária. Não há agência de publicidade no planeta que entregaria tanto. Ele pediu sanções contra o Brasil, virou réu, fez tour internacional de indignação e transmitiu tudo em lives melodramáticas, direto dos EUA, como um influencer que confundiu política com unboxing de crise institucional. Cada ataque seu virou presente embrulhado para Lula. O gráfico subia quase em tempo real, como quem aproveita uma liquidação inesperada.
O Grafico que o PT nem sonhava em ter

Janeiro – O Começo Do Caos Contido
Lula 42% x Bolsonaro 44%
A disputa parecia equilibrada. Aquele retrato clássico de um país dividido. Nada indicava um terremoto.
Maio – A Fase “Eu Contra O Mundo”
Lula 43% x Bolsonaro 41%
Eduardo adota o modo indignação permanente. Vira quase um embaixador de si mesmo e começa a minar seus próprios aliados. O efeito colateral? Lula sobe.
AGOSTO – O PEDIDO DE SANÇÕES: O DIVISOR DE ÁGUAS
Lula 47% x Bolsonaro 38%
O gráfico dá o famoso salto quântico.
Eduardo pede aos EUA que punam o Brasil.
O eleitor médio olha e pensa:
“Se esse é o patriotismo oferecido, prefiro o outro.”
Resultado: Lula assume o papel de patriota sereno diante do herdeiro pedindo castigo internacional.
Novembro – O Gran Finale Do 03
Lula 49% x Bolsonaro 34%
A autodestruição vira arte performática.
E Eduardo, sem freio, entrega o ouro.
O show do 03
E quando parecia que Eduardo já tinha ajudado o bastante, ele caprichou. Entrou no modo “tiro para todos os lados” e passou a metralhar os próprios aliados. Primeiro, arrumou briga com o governador de São Paulo. Depois, avançou contra Ronaldo Caiado, em Goiás, como quem briga com o vizinho só para lembrar que está vivo. Em seguida, disparou contra Nicolas Ferreira, o queridinho da militância. E, por fim, atacou o governador do Mato Grosso para completar a turnê da discórdia.
Resultado? Um espetáculo de desunião digno de novela mexicana. A direita se partiu em lascas. A base murchou. E o eleitor moderado fez o óbvio: correu para o colo de Lula, que não precisou erguer uma sobrancelha enquanto assistia ao caos.
Eduardo realizou uma proeza rara: trabalhou contra adversários e aliados simultaneamente. Criou, com dedicação, o cenário perfeito para Lula parecer ponderado, centrado, quase professoral sem precisar fazer absolutamente nada para isso.
A verdade que ninguém da direita quer admitir
Se 2025 ensinou alguma coisa, foi que nenhum estrategista político do PT teria coragem de sugerir um plano tão ousado e tão eficaz como:
“Deixa o Eduardo falar.”
Porque quando ele fala, Lula sobe.
Quando ele viaja, Lula cresce.
Quando ele briga com aliados, Lula floresce.
E quando ele pede sanções contra o próprio país…
aí Lula vira estadista.
Eduardo Bolsonaro não é oposição.
Ele é o motor do crescimento de Lula.
O marqueteiro que o PT jamais poderia contratar,
mas que a família Bolsonaro oferece gratuitamente.
E, pelo visto, com dedicação exclusiva.



1 comentário
Grande texto, Rod!
Deixa o Bananinha falar…