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AGENDA VARIEDADES

Fragmentos de Memória emociona público ao reconstruir rostos de pessoas escravizadas com o uso de IA

Fonte: Ascom/FPC
7 de novembro de 2025
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A exposição Fragmentos de Memória, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), foi inaugurada nesta quinta-feira (6) no segundo piso do Shopping da Bahia. A mostra integra a programação do Novembro Negro do Governo do Estado da Bahia.  

Com 40 retratos gerados por Inteligência Artificial a partir de documentos históricos — como cartas de alforria, registros de compra e venda e títulos de residência de africanos libertos —, a exposição propõe uma reparação simbólica: dar rosto e voz às pessoas escravizadas e libertas na Bahia Colonial e Imperial. A proposta faz parte do programa Resgate Ancestral, que une história, arte e tecnologia para ressignificar a memória do povo negro.

Durante a abertura, autoridades, pesquisadores, artistas e visitantes se emocionaram ao ver os rostos reconstituídos a partir de registros burocráticos. Cada imagem carrega uma história de resistência, reconstruída após um processo minucioso de pesquisa arquivística, digitalização e modelagem visual desenvolvida pelo APEB.

O secretário de cultura da Bahia, Bruno Monteiro, esteve presente na abertura da exposição e destacou a relevância de sua realização. “Isso é um resgate importantíssimo que nos faz conhecer mais da nossa história e da nossa formação. Especialmente em Salvador, na Bahia, o estado mais negro do Brasil, o lugar mais negro fora da África”.

Igualmente, o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, destacou a força simbólica do projeto.
“Fragmentos da Memória é uma entrega que reflete a importância dos nossos pesquisadores, da preservação da história para que direitos sejam garantidos. É um exemplo de como a tecnologia, quando bem utilizada, pode produzir resultados de extrema relevância social, cultural e educacional”, afirmou.

A exposição também inova ao apresentar o projeto As Vozes do Fragmento, no qual personalidades negras brasileiras interpretam monólogos poéticos inspirados nos registros históricos, transformando os documentos em relatos humanos e emocionais.

Assinada pelo diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, Jorge X, e coordenada por Adalton Silva, a iniciativa convida o público a refletir sobre o passado escravista e a importância de honrar as memórias fragmentadas por quase quatro séculos de escravidão.
“Essa reconstrução é interessante porque permite a gente criar uma conexão e uma sintaxe visual de visualizar como é que poderiam ser esses personagens negros que fazem parte da nossa história e são os nossos ancestrais”, declara Daniel Soto que visitou o Fragmentos da Memória nesta manhã de quinta (6).

Fragmentos da Memória também é resultado de parcerias estratégicas com o ateliê Memória & Arte, coordenado pela Dra. Vanilda Salignac de Sousa Mazzoni, a colaboração de Geovane Gomes Co, conhecido como “Bombyeck”, da linhagem Djagra do povo Pepél, que habita a zona norte até o centro da capital Bissau, responsável pelo Departamento Cultural do Fórum dos Estudantes Guineenses em São Francisco do Conde.  

A exposição conta com as parcerias do Shopping da Bahia, Instituto Íris e da Empresa Gráfica da Bahia (EGBA), e segue aberta ao público até o dia 30 de novembro, com entrada gratuita, no segundo piso do Shopping da Bahia, próximo ao acesso ao metrô.

Bahia Fundação Pedro Calmon Mais Bahia
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