REDEÇÃO | MAIS BAHIA
Enquanto a Bahia lidera estatísticas nacionais de violência doméstica — com quase 10 mil processos registrados apenas no início de 2025 — uma rede de solidariedade técnica se agiganta no Extremo Sul. O coletivo Rede Coragem, com atuação estratégica em Eunápolis, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Belmonte, consolidou-se como um pilar essencial de sobrevivência para mulheres que enfrentam a omissão estatal e a violência institucional.
Assistência Multidisciplinar e Gratuita
Diferente de iniciativas isoladas, o Rede Coragem oferece suporte técnico qualificado. Segundo a Joana Souza, o coletivo disponibiliza assistência jurídica, psicológica e social de forma inteiramente gratuita. O suporte vai além do acolhimento imediato, alcançando a reinserção econômica através de uma rede de apoio para conversas e indicação de currículos.

Articulação Política e Institucional
O coletivo não se limita ao atendimento direto; ele atua na raiz do problema: a falta de políticas públicas. Joana destaca ações recentes de alto impacto:
- Poder Legislativo: O grupo entregou o projeto para a abertura da Procuradoria Especial da Mulher na Câmara de Porto Seguro, em parceria com a vereadora Livia Bittencourt
- Governo Estadual: Houve agendas na Secretaria de Políticas para as Mulheres, em Salvador, e visitas técnicas às delegacias e instituições de auxílio para fiscalizar a qualidade do atendimento.
- Parcerias de Alta Complexidade: Em casos que exigem acompanhamento psicológico prolongado (entre 10 a 30 sessões), o Rede Coragem articula junto à Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) o encaminhamento das vítimas para a capital.


Rede Coragem entrega requerimento a deputadas da região Fabíola Mansur e Cláudia Oliveira pedindo DEAM 24h em Eunápolis, combatendo a violência institucional e o abandono das vítimas regionalmente. Essa entrega teve a união de vários coletivos e também do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Eunápolis.
O “Gargalo” do Atendimento
Apesar do esforço do coletivo, a barreira institucional permanece crítica. Joana denuncia que muitas delegacias comuns na região ainda se recusam a registrar boletins de ocorrência, operam em horários restritos e fecham aos finais de semana. “A gente praticamente joga essas mulheres para o feminicídio”, alerta a advogada, reiterando que a Bahia registrou 111 feminicídios em 2024 e que, sem o suporte do Rede Coragem, muitas dessas vítimas estariam desamparadas.
A luta agora foca na instalação da Casa da Mulher Brasileira no Extremo Sul, garantindo que o acolhimento não dependa apenas da boa vontade de coletivos, mas de uma política de Estado perene e eficiente.









