REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO
A imposição da sobretaxa de 25%, que entra em vigor em 22 de julho de 2026, ocorre em um momento de extrema tensão diplomática. O pretexto oficial da Casa Branca envolve desde falhas no combate ao desmatamento até retaliações políticas, como as decisões do STF sobre as big techs, a concorrência do Pix frente às empresas americanas e barreiras ao etanol.
Nesse cenário, o senador Flávio Bolsonaro buscou protagonismo ao viajar a Washington para tentar negociar diretamente um recuo nas tarifas junto ao círculo de Trump. A estratégia, que visava demonstrar força política ao sugerir que a oposição teria mais diálogo com os EUA do que o governo federal, acabou gerando uma reação contundente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados rotularam a atitude como uma “traição à pátria” e apontaram que as negociações paralelas enfraquecem a posição soberana do Brasil. O governo brasileiro repudiou formalmente as sanções, classificando a decisão como um “marco lastimável”, e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade.
O Impacto na Bahia: Quais Setores Estão na Mira?
Para a economia baiana, as novas medidas protecionistas acendem um sinal de alerta vermelho. Os Estados Unidos figuram historicamente como o segundo principal parceiro comercial do agronegócio baiano, atrás apenas da China.
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) acompanham com apreensão o desenrolar das restrições. A análise dos produtos mais atingidos revela o tamanho do desafio para o estado:

- Silvicultura e Celulose: A celulose é o principal vetor das exportações do agro baiano para o mercado americano. Embora parte da cadeia possa tentar buscar isenções de insumos básicos, o setor teme forte retração no Extremo Sul do estado.
- Cacauicultura (Sul da Bahia): Derivados de cacau, como manteiga, gordura e óleo — amplamente produzidos na região de Ilhéus e Itabuna —, representam uma fatia expressiva dos embarques baianos e estão diretamente expostos às taxas de 25%.
- Petroquímica e Manufaturados (Camaçari): Pneus e derivados petroquímicos produzidos no Polo Industrial de Camaçari também sofrem o risco de perder competitividade de forma imediata frente a concorrentes globais.
- Alívio no Vale do São Francisco: Uma das poucas notícias favoráveis foi a manutenção de frutas tropicais (como mangas e uvas) na lista de isenções do governo americano. O café em grão e os sucos de frutas também conseguiram escapar da sobretaxa geral, trazendo um respiro pontual ao produtor do Oeste e do Vale do São Francisco.
Como o Empresário Baiano Deve se Precaver?
Diante de um cenário de guerra comercial e alta volatilidade cambial, especialistas apontam caminhos práticos para as empresas baianas mitigarem as perdas:
Mapeamento de Isenções: O governo americano publicou uma lista detalhada com mais de 2.100 produtos isentos. O primeiro passo para o exportador é verificar, junto a despachantes aduaneiros e consultorias comerciais, se o código tarifário (NCM) de seu produto se enquadra em alguma das exceções de insumos essenciais.
Redirecionamento de Mercado (Diversificação): Depender de um único grande comprador é um risco elevado. Empresas baianas precisam acelerar a prospecção de mercados alternativos na Europa, Ásia e América Latina para escoar a produção que antes ia para os EUA.
Hedge Cambial e Planejamento Tributário: Com a iminência de retaliações bilaterais, o dólar tende a oscilar bruscamente. Utilizar ferramentas de proteção cambial (hedge) é fundamental para garantir a previsibilidade de custos de importação de insumos e receitas de exportação.
A escalada protecionista exige resiliência da indústria e do campo na Bahia. A capacidade de adaptação e a busca por novos mercados ditarão quais negócios conseguirão atravessar essa turbulência sem comprometer suas margens de lucro.
fontes:
USTR (Office of the United States Trade Representative / Escritório do Representante Comercial dos EUA): Relatório oficial da investigação comercial realizada sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Governo Federal do Brasil (MRE e MDIC): Nota oficial conjunta emitida pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério das Relações Exteriores
Agência Reuters & Notícias Agrícolas: Cobertura em tempo real sobre a consolidação e o anúncio oficial da tarifa de 25%.
FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia).
FAEB (Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia).


