REDAÇÃO | MAIS BAHIA |
A pressa que dita o ritmo das máquinas no Centro de Porto Seguro não é a mesma de quem precisa abrir as portas todos os dias para pagar as contas. O que deveria ser um projeto de revitalização urbana — focado na segunda etapa de obras na Rua Pero Vaz de Caminha e vias adjacentes — transformou-se em um verdadeiro teste de sobrevivência para comerciantes e moradores da região histórica e comercial da cidade. A falta de comunicação prévia e de um cronograma transparente por parte da prefeitura gerou um cenário de desolação, com faturamentos despencando e estabelecimentos tradicionais sendo forçados a encerrar suas atividades permanentemente.
A indignação ganhou as ruas e virou destaque na imprensa regional. Empresários e lojistas afirmam categoricamente que não houve qualquer planejamento logístico que mitigasse os impactos das intervenções. Sem passagens adequadas para pedestres, com poeira constante e bloqueios que impedem o fluxo natural de consumidores, o comércio central sangra. A prefeitura age sob uma lógica de imposição: primeiro destrói o asfalto e bloqueia o acesso; depois, quem sabe, explica o que será feito. Essa dinâmica de isolar o coração financeiro da cidade sem criar rotas alternativas ou dialogar com as lideranças do setor é um erro crasso de gestão que transfere todo o ônus do “progresso” para o bolso do trabalhador.

Essa postura de impor medidas de grande impacto sem o devido amadurecimento técnico ou diálogo com a sociedade civil é uma prática recorrente na atual administração de Porto Seguro. O modus operandi é conhecido: anuncia-se uma mudança drástica e, diante do inevitável choque de realidade e da pressão popular, o governo é obrigado a recuar ou improvisar.
O exemplo mais nítido dessa falta de planejamento prévio é a polêmica Taxa Ambiental voltada para veículos de fora do município. Instituída por lei, a cobrança foi anunciada com pompa, mas sem que a própria prefeitura estivesse com a tecnologia de monitoramento e o decreto regulamentador prontos. Como em um passe de mágica, após o desgaste público e a constatação de que o sistema não rodaria a tempo, o início da cobrança foi adiado para agosto deste ano.
Não se questiona a necessidade de melhorias na infraestrutura urbana ou a busca por recursos para a preservação ambiental. O que se contesta é a pressuposição arrogante de que o poder público pode atropelar o cotidiano de quem gera emprego e renda na cidade. Executar grandes intervenções físicas no Centro ou criar novas regras tributárias exige, antes de tudo, respeito ao cidadão, estudos de impacto econômico e diálogo franco. Enquanto a gestão municipal insistir em governar de costas para a comunidade, Porto Seguro continuará pagando um preço alto demais por obras que deveriam trazer soluções, mas que, na prática, entregam prejuízos.


