A madrugada desta terça-feira (14) foi de muita tensão e estragos para os moradores do Extremo Sul da Bahia. Uma forte tempestade, acompanhada de rajadas de vento intensas, raios e trovões, castigou municípios como Eunápolis e Porto Seguro, trazendo à tona, mais uma vez, o velho desafio da infraestrutura urbana na região.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia emitido um alerta amarelo de perigo potencial para chuvas intensas em mais de 110 cidades baianas. O aviso se confirmou de forma severa na região, deixando marcas de destruição e um rastro de preocupação para quem vive em áreas vulneráveis.
O rastro do temporal na região
Em Eunápolis, a tempestade começou por volta das 23h de segunda-feira (13) e se estendeu pela madrugada. O vento forte derrubou árvores, causou quedas de energia elétrica em diversos bairros e assustou moradores.
Até mesmo estruturas temporárias sentiram a força do vendaval: um parque de diversões instalado no Campo do Rondelli amanheceu com lonas e estandes destruídos pela força do vento, em um cenário que evidenciou a violência do temporal.
Já em Porto Seguro, a situação de alerta mobilizou as equipes de Defesa Civil. Embora obras preventivas de desobstrução de canais e limpeza de mangues — como as realizadas recentemente no Mangueiro da Santa, em Arraial d’Ajuda — tenham evitado alagamentos crônicos em pontos críticos como a Estrada da Balsa, os bairros periféricos continuam sofrendo. Ladeiras e áreas de encosta sempre geram enorme preocupação de deslizamentos quando o solo fica encharcado.


A conta cobrada pela falta de infraestrutura
O cenário vivido nesta madrugada não é um fato isolado, mas sim o reflexo de um problema crônico. A cada chuva forte, a conta da falta de planejamento urbano e de sistemas eficientes de drenagem pluvial é cobrada diretamente da população.
- Sistemas de drenagem obsoletos: A maioria dos bairros de Eunápolis e Porto Seguro cresceu em ritmo acelerado, sem que as redes de escoamento de água acompanhassem esse desenvolvimento. O resultado são bueiros entupidos e galerias insuficientes que transformam ruas em verdadeiros rios em poucos minutos de chuva.
- Pavimentação e asfalto de baixa durabilidade: Embora existam frentes de pavimentação em andamento nas duas cidades, a falta de uma drenagem de base faz com que a enxurrada destrua o asfalto novo rapidamente, abrindo crateras que isolam comunidades e danificam veículos.
- Vulnerabilidade periférica: Enquanto as áreas centrais e turísticas costumam receber atenção prioritária de zeladoria e contenção, bairros mais afastados e de relevo acidentado lidam com o medo constante de desmoronamentos e invasão de lama nas residências.
A voz das ruas: Não basta apenas tapar buracos ou limpar bueiros após a tempestade passar. O Extremo Sul da Bahia precisa de investimentos robustos em macro-drenagem e planejamento urbano sustentável para que a chuva deixe de ser sinônimo de medo e prejuízo.
Com previsão de novas pancadas de chuva e o solo já comprometido pelo acumulado das últimas horas, as equipes de monitoramento seguem de prontidão. A cobrança agora recai sobre o poder público para que as promessas de obras estruturantes saiam definitivamente do papel e ofereçam segurança real aos moradores.


