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A poesia atemporal de Renato Russo ganha as telas em nova cinebiografia

12 de julho de 2026
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REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO

Trinta anos após sua partida, a voz que embalou gerações e traduziu as angústias do Brasil continua ecoando com a mesma urgência. Renato Russo nunca foi apenas o líder de uma banda de rock; ele se tornou uma espécie de cronista social do país. É essa força artística e humana que move o novo projeto cinematográfico sobre o cantor, intitulado O Que é Demais Nunca é o Bastante — uma referência direta aos versos cortantes de “Teatro dos Vampiros”.

O longa-metragem, dirigido por Mauro Mendonça Filho, joga luz sobre a vida adulta do artista. Longe de ser apenas uma colagem de momentos felizes, a produção mergulha no turbilhão que foi o auge da Legião Urbana, recriando episódios emblemáticos e tensos, como o histórico e caótico show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 1988. A narrativa acompanha a trajetória pública e os dilemas pessoais de Renato até o ano de sua morte, em 1996.

No papel principal, o ator Tulio Starling assume a responsabilidade de encarnar o magnetismo e as fragilidades do compositor. Com filmagens divididas entre o Rio de Janeiro, Brasília — o berço do rock candango — e Nova York, o filme conta com o suporte de gigantes da indústria audiovisual, como a Globo Filmes e a Downtown Filmes, garantindo a escala que a história exige.

Estádio Mané Garrincha, em Brasília, justamente a cidade onde a banda se formou. Esse show aconteceu em 1988, e causou um enorme mal-estar entre a banda e os fãs brasilienses, a ponto da Legião nunca mais tocar na cidade.

 É Dado Villa-Lobos quem garante a autenticidade do slogam: ‘Show da Legião, sempre uma nova emoção’. Mas nada foi tão perigosamente emocionante para Dado, Renato, Negrete e Bonfá do que a noite friorenta de 18 de junho de 1988, quando a Legião Urbana realizou o mais polêmico show de sua carreira, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Foram 58 minutos de som e fúria presenciados por 50 mil pessoas – entre elas 11 mil que não pagaram ingresso’.

O eco de uma obra que não envelhece

Para compreender o impacto de Renato Russo na música brasileira, é preciso olhar além das paradas de sucesso da década de 1980. O rock nacional teve um antes e um depois da Legião Urbana. Renato trouxe para o gênero uma densidade poética que dialogava tanto com a MPB clássica quanto com o niilismo do pós-punk britânico. Ele transformou frustrações cotidianas, anseios juvenis e críticas políticas em hinos definitivos.

Dado, Renato, Negrete e Bonfá

Músicas como “Tempo Perdido”, “Eduardo e Mônica” e “Que País É Este” ultrapassaram as fronteiras do tempo. Elas não são vistas como faixas nostálgicas de uma época distante, mas como composições que ainda explicam o Brasil atual. O fato de jovens que sequer eram nascidos nos anos 1990 lotarem tributos e consumirem suas músicas nas plataformas digitais prova que a relevância de Renato é permanente.

Ele conseguiu um feito raro: traduzir a solidão e a esperança de forma universal. Ao pautar temas como a política nacional, o amor livre, a descoberta da sexualidade e o combate ao preconceito em uma época de transição democrática, o cantor pavimentou o caminho para a liberdade criativa de muitos artistas que vieram depois. O cinema agora se prepara para registrar esse legado, lembrando que, para a cultura brasileira, a obra de Renato Russo nunca será demais, e a saudade dele nunca será o bastante.

Durante a quarta música, “Conexão Amazônica”, uma canção anti-drogas, Renato relata o que aconteceu com alguns garotos viciados em drogas que formavam o Clube Da Criança Junkie. No saldo, relata: “-Um morreu, dois pararam, três passaram no vestibular e se casaram. Mas teve um que não morreu. Ele ficou assim ó (estiliza um esquizofrênico)”. Neste momento, um suposto doente mental fura o cerco da segurança e agarra Renato pelo pescoço como se quisesse estrangulá-lo. Renato tenta livrar-se dele a golpes de microfone.
Após “Será”, a banda deixa o palco antes do planejado (e antes que alguém se machucasse). Começa o caos: a platéia lança mais bombas, garrafas, coquetéis molotov, começa um grande quebra-quebra pelo estádio. Resultado: 385 atendimentos médicos e um processo movido pelo governo do Distrito Federal.
Noite de Som e Fúria
Correio Braziliense (14-06-1997)
A Volta da Legião Urbana à Brasília para o lançamento do disco Que País É Este: 1978/1987 foi planejada meticulosamente durante cinco meses. Mas falhas no esquema de segurança contribuíram para o surgimento de tumultos antes, durante e depois da apresentação da banda.
Filme legado Legião Urbana Misica Renato Russo
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