REDAÇÃO | MAIS BAHIA | FABIO DEL PORTO |
A combinação entre identidade digital, biometria facial e integração de sistemas em tempo real está redefinindo o modelo de operação dos aeroportos brasileiros. A tecnologia busca eliminar filas, simplificar o embarque e aumentar a segurança de passageiros e órgãos de fiscalização por meio do uso de bases de dados oficiais unificadas.
As soluções e os avanços operacionais do setor foram debatidos durante o Aviation Infra Summit (AIS) 2026, realizado nos dias 24 e 25 de setembro, em São Paulo. O evento reuniu representantes do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), companhias aéreas e concessionárias para debater inovação e mobilidade na aviação comercial.
Durante o painel sobre infraestrutura digital, o superintendente de Negócios do Serpro, Brenno Bello Sampaio, destacou que a biometria isolada não resolve os gargalos de atendimento. Segundo o especialista, o ganho de eficiência ocorre quando o reconhecimento facial é cruzado, instantaneamente e dentro das normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com a identidade oficial do cidadão e as informações da passagem aérea.

Essa arquitetura de dados é a base do programa Embarque + Seguro, desenvolvido em parceria com o Governo Federal. O modelo conecta as informações das companhias aéreas, dos operadores aeroportuários e das autoridades de segurança. Com a validação prévia do passageiro, a checagem de documentos físicos deixa de ser repetida em múltiplos pontos do terminal.
Em aeroportos como Viracopos, em Campinas (SP), testes em ambiente real avaliam a interoperabilidade entre os equipamentos de leitura biométrica e os sistemas centrais. A proposta é permitir que os dados operacionais coletados durante os fluxos de embarque ajudem também os gestores a identificar gargalos de atendimento e a dimensionar equipes e recursos em horários de pico.
O debate sobre o aeroporto do futuro no AIS 2026 foi moderado por Júlia Lopes da Silva Nascimento, da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC/MPor), e contou com as participações de Laura Calegari, da Leadin Aviation Consulting, e de Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil.


