REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO |
O avanço da criminalidade no interior do Nordeste ganha contornos dramáticos nos relatórios nacionais de segurança pública. Os dados oficiais mais recentes, consolidados pelo Atlas da Violência e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, colocam a Bahia em um incômodo protagonismo na geopolítica do crime organizado. O estado concentra metade das dez cidades mais violentas de todo o país, evidenciando que a letalidade deixou de ser um problema restrito às grandes regiões metropolitanas e fincou raízes profundas em importantes polos econômicos e turísticos do interior baiano. No topo dessa lista estadual aparecem municípios como Jequié, Juazeiro e Camaçari, mas é o desenho da violência em direção ao litoral e às divisas regionais que preocupa especialistas.
Quando fechamos o foco na nossa região, no Sul e Extremo Sul da Bahia, o cenário exige atenção imediata das autoridades e da sociedade civil. Porto Seguro e Ilhéus, dois dos principais motores econômicos, históricos e turísticos do nosso território, figuram de forma preocupante entre as vinte cidades mais violentas do Brasil. Porto Seguro ocupa a 14ª posição nacional, com uma taxa expressiva de 59,7 mortes por 100 mil habitantes, enquanto Ilhéus aparece logo atrás, na 19ª colocação, registrando um índice de 54,0. Essa realidade está diretamente ligada à interiorização das rotas do tráfico e à disputa territorial entre facções criminosas nacionais e dissidências locais, que enxergam na nossa malha rodoviária e na extensa faixa litorânea pontos estratégicos de escoamento e logística.
Outro ponto que coloca o Extremo Sul em evidência nos relatórios é o índice de letalidade decorrente de intervenções policiais. O município de Eunápolis, vizinho geográfico e econômico de um grande polo turístico, aparece nos registros com uma das maiores taxas de mortes por confrontos com as forças de segurança no estado, registrando 26,6 ocorrências por 100 mil habitantes. Esse dado reflete a forte reação e o enfrentamento armado nas periferias das cidades da região. Embora o governo estadual aponte quedas recentes nos índices gerais de homicídios neste início de ano devido ao reforço de operações integradas, a forte presença do crime organizado e a vulnerabilidade social nas áreas periféricas mantêm o Sul da Bahia sob uma persistente sensação de insegurança, desafiando a sustentabilidade do turismo e o bem-estar da população local.
A Bahia continua enfrentando um cenário crítico, figurando com a terceira maior taxa de homicídios do país ($42,6$ por 100 mil habitantes). Na lista das 20 cidades brasileiras acima de 100 mil habitantes com maiores índices de Mortes Violentas Intencionais (MVI), o nosso estado infelizmente domina o topo.
Preparei a lista oficial solicitada e, logo em seguida, a matéria estruturada no padrão jornalístico que você exigiu para as nossas redações, com o texto corrido e fluido, destacando com muita seriedade a realidade do Sul e Extremo Sul da Bahia.
Cidades da Bahia no Top 20 Nacional da Violência
(Taxa de mortes por 100 mil habitantes — Cidades com mais de 100 mil hab.)
- Jequié (2º lugar nacional) – Taxa: 77,6
- Juazeiro (3º lugar nacional) – Taxa: 76,2
- Camaçari (4º lugar nacional) – Taxa: 74,8
- Simões Filho (7º lugar nacional) – Taxa: 71,4
- Feira de Santana (10º lugar nacional) – Taxa: 65,2
- Porto Seguro (14º lugar nacional) – Taxa: 59,7
- Santo Antônio de Jesus (17º lugar nacional) – Taxa: 57,7
- Ilhéus (19º lugar nacional) – Taxa: 54,0
- Salvador (20º lugar nacional) – Taxa: 52,0


