POR REDAÇÃO MAIS BAHIA Eunápolis, BA –
A frase “quem tem pressa, padece” nunca fez tanto sentido para os moradores de Eunápolis quanto agora. O município vive um verdadeiro cenário de abandono no transporte coletivo urbano, deixando milhares de trabalhadores, estudantes e idosos à mercê da própria sorte. O que se vê nas ruas é o retrato de uma gestão que parece ter perdido o freio e uma empresa concessionária que, entre impasses e paralisações, entregou os pontos.
O Nó Cego da Concessão
A crise, que se arrasta há anos como uma novela de mau gosto, atingiu seu ápice neste início de 2026. A Viação GWG (Eunapolitana Transportes), atual detentora do serviço, enfrenta um embate direto com o Governo Municipal. De um lado, a empresa alega inviabilidade financeira, citando a defasagem da tarifa e a falta de repasses de subsídios que deveriam custear as gratuidades. Do outro, a Prefeitura é pressionada a dar uma resposta imediata a um serviço que é direito constitucional do cidadão.
Enquanto o “disse me disse” jurídico e administrativo continua nos gabinetes, o povo sente o peso no bolso e no cansaço. Com poucos ou nenhum ônibus circulando de forma regular, o transporte clandestino — as famosas “lotações” em carros de passeio e vans — tomou conta da cidade.
O Perigo mora ao lado
A ausência do ônibus oficial empurra o passageiro para a irregularidade. Sem fiscalização adequada, o munícipe se sujeita a veículos sem manutenção, sem seguro e sem qualquer garantia de segurança, pagando valores muitas vezes superiores à tarifa oficial para não chegar atrasado ao emprego. “É o preço da necessidade”, desabafa um morador que prefere não se identificar.
Análise: O que falta para Eunápolis andar?
Pontos que estão sendo ignorados:
- Falta de Planejamento: Não se resolve transporte público apenas trocando de empresa. É necessário um plano de mobilidade urbana real, que combata o transporte pirata de forma eficaz e garanta que a tarifa seja justa tanto para o operador quanto para o usuário.
- Transparência nos Subsídios: Se há dinheiro público envolvido, a população precisa saber onde está o gargalo. Por que os repasses atrasam? Por que a empresa alega falência enquanto o município cresce?
- Ameaça de Nova Licitação: Fontes indicam que a Prefeitura estuda uma nova empresa para operar no município. No entanto, sem corrigir os erros estruturais do contrato anterior, o risco é de que o novo “salvador da pátria” enfrente os mesmos problemas em poucos meses.


