No último sábado, 14 de março, o palco do Teatro L’Occitane foi tomado por um encontro daqueles que a gente guarda na memória. O cantor e compositor Carlinhos Brown dividiu a cena com a Orquestra Ouro Preto para apresentar o concerto Afrossinfonicidade, espetáculo que encerrou mais uma edição do Festival Música em Trancoso.
Sob direção de Brown e do maestro Rodrigo Toffolo, o concerto foi muito mais que um show. Foi um encontro entre universos: a força da música popular brasileira, a riqueza da percussão afro-brasileira e a grandiosidade de uma orquestra sinfônica. Um diálogo musical que parecia dizer, a cada acorde, que a música brasileira não tem limites.
O repertório passeou por diferentes momentos da carreira de Brown e por canções que fazem parte da memória afetiva de muita gente. Hits eternizados pelo projeto Tribalistas como “Velha Infância”, “Amor I Love You” e “Já Sei Namorar” ganharam novos arranjos, mais amplos, mais intensos. Era como ouvir músicas conhecidas sendo reinventadas diante dos nossos olhos.
Mas o espetáculo foi além da nostalgia. Canções como “Vilarejo”, “Segue o Seco”, “A Namorada”, “Romântico Ambiente”, “Seu Zé” e “Frases Ventias” mostraram o quanto a obra de Carlinhos Brown é vasta, diversa e profundamente brasileira. Com a força da orquestra, cada música ganhava novas camadas, novas emoções.
E talvez seja exatamente isso que torna momentos como esse tão especiais. Não é apenas sobre um grande artista ou um grande concerto. É sobre o que acontece quando a arte ocupa um lugar central na vida de uma região. Ver um espetáculo desse porte acontecer em Trancoso, em um teatro cercado pela natureza e pela cultura local, reforça algo que às vezes esquecemos: a arte também transforma territórios.
O Festival Música em Trancoso já se consolidou como um dos eventos culturais mais importantes do país, mas para quem vive ou frequenta a região, ele representa algo ainda maior. É um lembrete de que a Bahia continua sendo um dos grandes centros criativos do Brasil.
Naquela noite, entre aplausos, arranjos grandiosos e a energia contagiante de Carlinhos Brown, ficou claro que a música brasileira segue viva, pulsante e em constante transformação.
E se depender de encontros como o de Afrossinfonicidade, ela continuará ecoando por muito tempo — de Trancoso para o Brasil e para o mundo.


