A Justiça Federal barrou a ordem de reintegração de posse e a demolição das estruturas da Aldeia Lagoa Doce, uma área ocupada pelo povo Pataxó na região de Trancoso, em Porto Seguro. A desocupação forçada estava prevista para acontecer nos próximos dias e corria o risco de deixar dezenas de famílias desabrigadas na Costa do Descobrimento.
A decisão trouxe alívio imediato para a comunidade. Lideranças indígenas e movimentos sociais que acompanham o caso celebraram a liminar como um fôlego importante na disputa territorial. Segundo as organizações que atuam na defesa dos direitos originários, a execução da medida impactaria diretamente cerca de 200 pessoas, incluindo um número expressivo de crianças e idosos que vivem no local.


O território da Aldeia Lagoa Doce fica em uma das áreas mais valorizadas do litoral sul baiano, vizinho ao distrito de Trancoso, vetor de forte expansão imobiliária e turística. Esse contexto acirra os conflitos de terra na região, onde os Pataxó lutam pelo reconhecimento e demarcação de suas áreas tradicionais, enquanto enfrentam a pressão de fazendeiros e empreendimentos hoteleiros.
Com a suspensão do despejo, o clima de tensão imediata diminui, mas as lideranças permanecem em alerta. O caso segue em tramitação na Justiça Federal, que deve avaliar o mérito da disputa e a regularização fundiária da área ocupada pelos indígenas.

