REDAÇÃO | MAIS BAHIA |
O Brasil despediu-se de uma das maiores damas da história das artes cênicas. A atriz Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira (17), aos 98 anos, em sua residência no bairro do Sumaré, em São Paulo, de causas naturais. A informação foi confirmada pela família através das redes sociais oficiais da artista na madrugada desta terça-feira (18).
Segundo familiares, a atriz sentiu um mal-estar por volta das 23h20. A cerimônia de despedida ocorre ao longo do dia, na capital paulista, em clima reservado para parentes e amigos próximos.
Pioneira absoluta e história viva da cultura nacional
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso em 13 de setembro de 1927, no tradicional bairro paulistano do Bixiga, a artista começou a trajetória profissional ainda jovem nas radionovelas da década de 1940. O pioneirismo virou marca registrada: quando a televisão deu os primeiros passos no país, na década de 1950, Laura lá estava na pioneira TV Tupi, atuando em teleteatros sob a direção de grandes mestres da cena.
Ao longo de mais de oito décadas de dedicação contínua ao teatro, ao cinema e à televisão, acumula um currículo superlativo: foram mais de 100 trabalhos gravados e mais de 60 telenovelas. Figura icônica, transitou por papéis marcantes na história da teledramaturgia. O público jamais esquecerá a força de personagens como a intensa Dona Isaura em Mulheres de Areia (1993), a inesquecível Guiomar em A Viagem (1994), ou a imponente Dorotéia em Gabriela (2012).
Atriz de talento único, entregava a mesma profundidade ética e expressiva seja para heroínas sofridas, seja para vilãs cômicas ou dramáticas. A versatilidade natural transformou a figura da artista em patrimônio afetivo de várias gerações de telespectadores.

Legado e reconhecimento
Ao longo da trajetória, recebeu os principais reconhecimentos do setor cultural, acumulando prêmios Shell, troféus da APCA e o Prêmio Grande Otelo, além de condecorações como a Ordem do Mérito Cultural. Recentemente, foi também homenageada no Senado Federal.
Com a passagem de Laura Cardoso, fecha-se um ciclo de ouro do audiovisual brasileiro. Fica o legado irretocável de quem ajudou a inventar e a consolidar a forma de fazer dramaturgia no Brasil, inspirando gerações inteiras de atores e encantando o público com talento puro, fibra e dignidade nos palcos e nas telas.


