O Brasil se despede de um de seus grandes criadores musicais. O cantor, compositor e instrumentista Lô Borges, um dos nomes centrais do Clube da Esquina, faleceu aos 73 anos. Sua morte encerra um ciclo, mas deixa um legado que segue vivo nas vozes, harmonias e arranjos de gerações que ele ajudou a inspirar.
Natural de Belo Horizonte, Lô Borges começou a se destacar ainda na adolescência. Ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e outros talentos mineiros, ajudou a criar um dos movimentos mais originais da música brasileira: o Clube da Esquina, que nos anos 1970 rompeu fronteiras entre o regional e o universal, misturando rock, jazz, bossa nova, MPB e sons latino-americanos com poesia e delicadeza.
Seu primeiro álbum solo, lançado em 1972 — o icônico “Disco do Tênis”, por causa da capa — tornou-se um marco da música brasileira. Repleto de harmonias ousadas e melodias sofisticadas, o disco mostrou um artista que não tinha medo de experimentar.

Mais do que um compositor de hits, Lô Borges era um criador de atmosferas sonoras. Canções como “Trem Azul”, “Trem de Doido”, “Paisagem da Janela” e “Clube da Esquina nº 2” revelam sua habilidade em traduzir sentimentos e paisagens mineiras em música.
Sua parceria com Milton Nascimento foi uma das mais férteis da MPB — uma combinação de vozes e sensibilidades que marcou profundamente a cultura brasileira.
Nos últimos anos, Lô manteve-se ativo. Em 2025, lançou o álbum “Céu de Giz”, reafirmando sua vitalidade criativa e a busca constante por novas sonoridades. Mesmo após cinco décadas de carreira, seguia se reinventando, provando que a música era sua linguagem natural.
A influência de Lô Borges ultrapassa gerações e fronteiras. Sua obra ecoa em artistas contemporâneos que encontraram no Clube da Esquina uma fonte inesgotável de inspiração. Bandas e cantores como Skank (e Samuel Rosa), Nando Reis, Liniker e Rubel já declararam sua admiração pelo músico mineiro.
Mais do que canções, Lô Borges deixou uma maneira única de entender a arte: feita de amizade, liberdade e poesia. Seu trabalho consolidou Minas Gerais como um dos grandes polos criativos da MPB — e continua servindo de referência para quem acredita que música é, antes de tudo, expressão da alma.

Lucas Campos é Coordenador de programação da TV Porto, produtor, diretor de programas, Comentarista e Colunista do Universo de Cinema, Televisão, Música, Cultura Pop, Geek e Esportes.


