REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FÁBIO DEL PORTO |
O circo brasileiro atravessa uma metamorfose profunda, e o Sul da Bahia tem se tornado um laboratório vivo dessa transformação. No Dia do Circo, celebrado neste 27 de março, a análise técnica do setor revela que a tradicional lona itinerante deu lugar a polos de resistência cultural e ocupação de espaços fixos, como ocorre em Arraial d’Ajuda e Porto Seguro.
Especialistas em artes cênicas apontam que a força do circo na Costa do Descobrimento reside na transição do espetáculo puramente comercial para a “economia do afeto” e do impacto social. Coletivos como o Balagan e o Palhaçarte não apenas entretêm; eles educam e criam um senso de comunidade que o entretenimento digital, por natureza isolador, não consegue replicar.

O fim do uso de animais nas apresentações forçou uma sofisticação da técnica física e da dramaturgia. Hoje, o valor está no risco real — o equilibrista ou o trapezista oferecem uma verdade visceral que nenhum efeito especial de cinema substitui. Para o turismo da região, o circo contemporâneo funciona como um ativo estratégico, diversificando a oferta de lazer além do binômio “sol e mar” e movimentando a cadeia de serviços locais com produções de baixo impacto ambiental e alto valor agregado.


