REDAÇÃO ARCANO SOLAR | POR FABIO DEL PORTO |
Neste domingo, 19 de julho, o firmamento e os números desenham um portal de transição que não pode ser ignorado. Sob a ótica da numerologia hermética, a soma desta data nos conduz diretamente à frequência do Arcano 18 do Tarô: A Lua — ou O Crepúsculo, na tradição iconográfica egípcia. Longe de ser um presságio de estagnação, este dia se consolida como o desfecho e a elevação de um ciclo planetário profundo. É o momento exato em que a penumbra deixa de ocultar para começar a revelar.
Para a tradição gnóstica, o crepúsculo representa a fronteira onde tudo se manifesta diante da Luz Divina. Contudo, essa clareza traz consigo seus próprios espectros: novos temores e perigos emergem quando o que estava submerso vem à tona. Não estamos falando de um arcano puramente negativo, mas de um território de energia noturna onde os mistérios se desnudam para aqueles que mantêm a sua própria lanterna interna acesa. É a luz da consciência humana que rasga a escuridão, e não o contrário.

No Tarô clássico e na alta magia, A Lua rege as transformações profundas e a dualidade inescapável da existência. A própria iconografia tradicional da lâmina expõe essa tensão: a presença dos dois cães — que Constantino Reimman e outros ocultistas interpretam como um cão doméstico e um lobo selvagem — simboliza os nossos instintos. O cão representa a nossa face moldada pela civilização, o ego adaptado; o lobo carrega a nossa natureza primitiva, a força bruta do inconsciente. Tentar aniquilar um em benefício do outro é um erro crasso. Ambos coabitam a nossa psique e sustentam nossa vitalidade.
A verdadeira magia não reside no controle tirânico da nossa natureza, mas no entendimento e na aceitação irrestrita de suas forças opostas.
A própria etimologia da palavra magia nos remete ao persa antigo magush, o termo utilizado para designar os sacerdotes zoroastristas. Na sua raiz mais pura, magia significa “sabedoria”. O autêntico mago ou bruxa não é aquele que subverte as leis do cosmos, mas quem se conecta à natureza para decifrá-la e respeitá-la, fazendo da própria vida a sua grande obra alquímica.

A sinfonia planetária e o paradoxo da verdade
Vivemos um momento histórico e astrológico de revelações implacáveis. Nada mais permanecerá oculto para aqueles que possuem olhos para ver; nenhuma frequência passará despercebida por quem aprendeu a escutar a sinfonia planetária em meio ao ruído ensurdecedor das vaidades cotidianas.
O desafio deste tempo lunar é a vigilância extrema, pois a mentira frequentemente se disfarça com as vestes da virtude. Como bem pontuou Friedrich Nietzsche, a verdade é uma construção perspectivista, um ponto de vista. O filósofo recusava-se a aprisionar a verdade em dogmas porque compreendia a impossibilidade de se alcançar uma certeza absoluta sobre o que se convencionou chamar de oposto da mentira.
Nesta encruzilhada evolutiva, a busca por salvadores externos é inútil. Não haverá líderes messiânicos ou mestres detentores da resposta final apontando o horizonte. A bússola migrou em definitivo para o espaço interior. O caminho do meio — a senda estreita do equilíbrio hermético — exige que saibamos alimentar tanto o cão quanto o lobo com a mesma sabedoria, reconhecendo a legitimidade de cada um.
Feliz daquele que mapeia o próprio mal; feliz daquele que reconhece o próprio bem; e soberano é quem consegue equilibrar essas duas forças sob o império da consciência. Que este 19 de julho seja o marco da sua própria emancipação espiritual.


