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Início » O Renascimento do Rock Clássico: Por que o som das grandes décadas voltou a dominar o imaginário pop?
COLUNAS POP

O Renascimento do Rock Clássico: Por que o som das grandes décadas voltou a dominar o imaginário pop?

por Lucas Campos
17 de novembro de 2025
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Algo curioso — e poderoso — vem acontecendo nos últimos anos: o rock clássico, que muitos decretaram “fora de moda” e até “morto”, durante boa parte da década de 2010, voltou a ocupar o centro das discussões culturais. Jovens com camisetas do Led Zeppelin, discos de vinil esgotando, turnês históricas batendo recordes e bandas contemporâneas abraçando o som setentista mostram que o gênero não apenas retornou, mas renasceu com força.Esse fenômeno não é isolado. Ele reflete um movimento global de resgate de identidades sonoras e narrativas mais humanas, em um mercado dominado por produções altamente digitais. O público — especialmente a Geração Z — voltou a buscar autenticidade, instrumentação real e performances que carregam alma.

A nostalgia sempre foi combustível da indústria cultural, mas na última década ela ganhou contornos ainda mais intensos.

Vivemos um momento em que o cinema revisita franquias antigas, a moda resgata estéticas dos anos 70, 80 e 90, e a música segue o mesmo fluxo emocional. O rock clássico reaparece como símbolo de liberdade, rebeldia e expressão genuína — valores que parecem atemporais.

Esse movimento também foi impulsionado pela redescoberta tardia de músicas antigas graças a momentos virais. Basta lembrar:

  • “Dreams”, do Fleetwood Mac, retornando às paradas após um vídeo no TikTok viralizar em 2020.
  • “Running Up That Hill”, da Kate Bush, alcançando o topo do Spotify Global depois de aparecer em Stranger Things.
  • Isso e outros tantos exemplos, com os quais eu poderia fazer uma longa lista aqui…

Mas esses exemplos, são capazes de trazer à tona um fato: Quando esses clássicos ressurgem, abrem portas para que novos ouvintes explorem catálogos inteiros de artistas icônicos — e a jornada musical nunca mais volta ao ponto de partida.

Uma parte inegávelmente considerável para a percepção e consolidação da volta do rock clássico, é entender como a popularização do streaming mudou a forma como ouvimos música. Antes, para descobrir rock, era comum depender de rádio, clipes na TV ou recomendações pessoais. Hoje, algoritmos conectam gerações inteiras a músicas lançadas décadas antes de seu nascimento.

No Spotify, playlists como Rock Classics e All Out 70s figuram entre as mais ouvidas globalmente.

No YouTube, videoclipes remasterizados de bandas como Queen e Dire Straits ultrapassam centenas de milhões de visualizações.

No TikTok, guitarristas adolescentes viralizam recriando solos de Hendrix, Slash, Brian May e Jimmy Page.

E qual o resultado? Um rejuvenescimento natural do público do rock, com (quase que literalmente) jovens carregando a tocha do rock, o mantendo vivo, iluminado e iluminando.

O renascimento também foi impulsionado por artistas contemporâneos que reinterpretam o som clássico para uma nova geração. Entre os nomes mais emblemáticos:

Greta Van Fleet:

Eles dividiram opiniões ao surgir com uma sonoridade extremamente próxima ao Led Zeppelin. Mas o impacto é indiscutível: levaram guitarras e vocais poderosos de volta ao mainstream, ganharam Grammy e abriram portas para outras bandas do gênero.

Måneskin:

O grupo italiano venceu a Eurovisão e rapidamente se tornou um fenômeno global. Seu visual glam, referências aos anos 70 e energia no palco evocam a era de ouro do rock.

The Struts, Dirty Honey, Rival Sons:

Bandas que seguem uma linha mais clássica, trazendo riffs pesados, grooves marcantes e uma estética diretamente conectada ao rock pré anos 2000.

Esses artistas ajudaram a quebrar o mito de que “rock não vende mais” — e provaram que existe, sim, espaço no mainstream para guitarras distorcidas e performances cheias de personalidade.

Outro pilar desse renascimento são as lendas vivas do rock, que ainda arrastam multidões:

  • Scorpions com uma turnê comemorativa dos incríveis 60 anos de banda, que continua lotando estádios e casas de show em todo o mundo.
  • AC/DC voltou com força em sua nova turnê após anos de hiato; E um detalhe que impressionou a todos: Após um longo período longe das terras brasileiras, a banda anunciou três shows no Brasil em 2026, todos eles, esgotaram em poucos minutos após as respectivas aberturas de vendas (o último show da banda no Brasil, foi em 2009, em São Paulo, como parte da turnê Black Ice).
  • Metallica, com seu formato 360º e dois shows diferentes por cidade, tornou-se uma das turnês mais lucrativas da década.
  • Iron Maiden, mesmo com mais de quatro décadas de carreira, segue como fenômeno global, especialmente no Brasil.
  • A volta do Guns N’ Roses, com Slash e Duff, foi um dos maiores eventos do rock moderno.

O movimento é tão forte que há uma percepção crescente de “última chance” de ver essas bandas ao vivo — algo que cria demanda e emociona gerações inteiras.

Um outro movimento recente, que não pode ser descartado, são artistas do movimento atual da música, trazendo projetos em colaboração com outros artistas consagrados, como por exemplo, o recém lançado “My Only Angel”, parceria entre YUNGBLUD e Aerosmith.

Apresentações, mesmo que diferentes das tradicionais e históricamente marcantes, ainda chamam a atenção, e causam alvoroço entre os fãs, e aqueles que até talvez não conheçam, mas por curiosidade, buscam conhecer a história, como aconteceu recentemente com o KISS, que realizou o evento “KISS Kruise: Land-Locked in Vegas”, um evento marcado para celebrar a história e carreira de, sem dúvidas, uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

Com dois shows durante o evento, em acústico e outro elétrico, e mesmo sem as maquiagens e roupas extravagantes que marcaram a carreira desta banda lendária, Paul Stanley, Gene Simmons, Tommy Thayer e Eric Singer, sacudiram Las Vegas, levando fãs a momentos de euforia com o som enérgico peculiar do grupo, e também a momentos emotivos e sentimentais, como a homenagem feita por eles, ao recém falecido Ace Frehley, guitarrista e mebro fundador do Kiss.

E não é apenas o som: o visual do rock clássico voltou à moda. E não só entre fãs.

  • As vendas de vinil cresceram mais de 20% ao ano na maior parte da última década, superando o CD — algo impensável anos atrás.
  • Camisetas de bandas como Nirvana, Ramones, Metallica, AC/DC e Guns N’ Roses, IronMaiden, Scorpions, Kiss e outras, se tornaram itens de moda global, usadas até por quem nem conhece a banda.
  • Guitarras vintage, amplificadores valvulados e pedais clássicos voltaram a ser procurados, inclusive entre músicos iniciantes.

O rock, portanto, não retorna apenas como música, mas como identidade cultural.

Há uma sensação de cansaço em relação à produção altamente digitalizada de muitos gêneros atuais. Não que eles não sejam válidos, mas convivem com uma busca crescente por sons mais orgânicos.

O rock clássico entrega:

  • Execução humana
  • Imperfeições que soam reais
  • Energia ao vivo
  • Narrativa emocional
  • Identidade artística mais sólida

E isso tem enorme apelo em um momento em que o público questiona autenticidade, transparência e a própria natureza da arte na era das IA’s.

Conclusão — O rock clássico não renasce: ele se reinventa

Dizer que o rock “morreu” nunca fez sentido — ele apenas se afastou do foco por um tempo.
Hoje, vive uma de suas fases mais ricas desde os anos 90, unindo pais e filhos, influenciando novos artistas e resgatando a emoção visceral que sempre definiu o gênero.

O renascimento do rock clássico não é apenas musical — é cultural, social e emocional.
É uma resposta ao mundo moderno e um lembrete de que alguns sons simplesmente não pertencem a uma era, mas a todas elas.

E se depender da nova geração, o rock ainda tem muito chão pela frente.

Lucas Campos é Coordenador de programação da TV Porto, produtor, diretor de programas, Comentarista e Colunista do Universo de Cinema, Televisão, Música, Cultura Pop, Geek e Esportes.


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coluna Mais Bahia Música pop rock Rock Clássico
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