O Governo da Bahia deu um passo decisivo nesta quinta-feira (14) para mudar o mapa da saúde pública no estado. Em detalhamento técnico sobre as novas etapas do Plano Estadual de Transplantes (2026-2029), a gestão estadual confirmou que o foco absoluto do próximo triênio será a descentralização de procedimentos de alta complexidade. O objetivo central é levar para os hospitais do interior a infraestrutura necessária para realizar cirurgias que, historicamente, obrigam pacientes a se deslocarem centenas de quilômetros até Salvador.
Descentralização como estratégia central
Atualmente, a fila de espera por transplantes na Bahia ainda apresenta uma concentração acentuada na capital. Para reverter esse cenário, o plano prevê o credenciamento de novos centros cirúrgicos em hospitais regionais estratégicos e o investimento massivo na capacitação de equipes multidisciplinares fora da Região Metropolitana de Salvador (RMS).
De acordo com o cronograma detalhado hoje, as ações prioritárias incluem:
- Logística de Captação: Ampliação da rede de busca ativa de doadores, com reforço nas Centrais de Notificação e Captação de Órgãos (CNCDOs) no interior.
- Infraestrutura Hospitalar: Adaptação de salas cirúrgicas e UTIs em cidades-polo para suportar o pós-operatório de transplantes de órgãos como rins e córneas, que terão as maiores metas de expansão.
- Redução da Fila: A expectativa é que, até o final de 2029, a fila de espera seja reduzida significativamente, com pelo menos 40% dos procedimentos sendo realizados fora de Salvador.
Impacto na Costa do Descobrimento
Para nós, no Sul e Extremo Sul da Bahia, a notícia é recebida com otimismo, mas também com o rigor da cobrança por execução. A interiorização da alta complexidade pode significar que pacientes de Porto Seguro, Eunápolis e cidades vizinhas não precisem mais enfrentar o desgaste físico e emocional das viagens em Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para procedimentos que poderiam ser realizados em centros regionais bem equipados.


