O filme é produzido pelo NUPOMAR – Núcleo de Pesquisa, Mídias e Arte, com o apoio da Lei Paulo Gustavo através da Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT), conta a direção de Ramon Rafaello e a co-direção de Xohãhi Pataxó, que também é ator principal na obra. A Xingu Filmes, primeira produtora audiovisual indígena do país, também atua na co-produção da obra, sob a coordenação do cineasta Takumã Kuikuro.
Mais do que um filme comum, a obra é um marco para a produção audiovisual regional, trazendo visibilidade para a luta e a cultura do povo Pataxó no extremo sul da Bahia, valorizando a criação coletiva a partir das vozes e olhares indígenas. O filme é resultado de um processo de formação em produção audiovisual realizado por meio de oficinas na aldeia Barra Velha, envolvendo jovens comunicadores indígenas. A metodologia da educomunicação foi o eixo central dessa experiência, unindo prática, aprendizado coletivo e fortalecimento da autonomia criativa dos participantes, visando o fomento do cinema indígena regional e a formação de cineastas e comunicadores Pataxó.

Utilizado de linguagem documental e ficcional, Naô Xohã (Espírito Guerreiro) aborda a espiritualidade, a territorialidade, a cultura do povo Pataxó e sua luta pela demarcação dos seus territórios ancestrais, além de refletir sobre os desafios enfrentados por lideranças e comunicadores indígenas em sua resistência. O filme teve cenas gravadas em diversas aldeias do município de Porto Seguro, dentre elas; Barra Velha, Pé do Monte, Xandó, Pará, Pataxí, Jaqueira e Coroa Vermelha. Com cenas também gravadas na Alemanha e na França, o filme conecta o local ao global, reafirmando que o cinema produzido em Porto Seguro e região é capaz de dialogar com o mundo, sem perder suas raízes, construindo pontes de diálogo, que, através da arte, da palavra e da imagem, fortalecem o cinema e a cultura regional e a luta pelos direitos indígenas.
Durante as gravações, uma comitiva de pesquisadores e comunicadores Pataxó, visitou em Stuttgart, no sul da Alemanha, o Linden Museu, onde se encontram artefatos ancestrais do povo Pataxó. O grupo refez o caminho percorrido em maio de 1817 por Maximilian zu Wied-Neuwied, príncipe e pesquisador alemão, que realizou uma expedição científica ao Brasil, entre 1815 a 1817. A expedição resultou na produção de um livro “Viagem ao Brasil”, além de um rico acervo composto por um diário de viagem, anotações catalográficas sobre a fauna, flora e os povos indígenas da antiga capitania de Porto Seguro. A comitiva Pataxó também realizou uma breve passagem por Paris, capital da França, onde puderam se encontrar com o premiado fotógrafo Sebastião Salgado, que gravou uma entrevista para o filme Naô Xohã, defendendo os direitos indígenas, dias antes do seu falecimento.









