Nesta quinta-feira, 25 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Rádio, uma homenagem ao nascimento de Edgard Roquette-Pinto, o “Pai da Radiodifusão no Brasil”. Foi em 1923 que Roquette-Pinto fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, pioneira no país, com a visão de que o rádio seria “a escola dos que não têm escola”. Mais de um século depois, em um mundo dominado por telas e algoritmos, o rádio não apenas sobrevive, mas mantém uma vitalidade impressionante, especialmente em regiões onde a conexão é mais do que digital – é humana.

A Herança de Roquette-Pinto e a Relevância Atual
A profecia de Roquette-Pinto concretizou-se de maneira extraordinária. O rádio se tornou o meio de comunicação mais democrático do país. Segundo dados atualizados de 2025 da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), existem aproximadamente 10.500 emissoras de rádio em funcionamento no Brasil . Na Bahia, o número ultrapassa 450 emissoras, evidenciando a força do meio no estado.
O Rádio na Costa do Descobrimento: A Voz do Desenvolvimento Regional
Na região da Costa do Descobrimento, no extremo sul da Bahia, o rádio exerce um papel social e econômico indispensável. Em cidades como Porto Seguro, famosa pelo turismo, até o interior de Teixeira de Freitas, polo de serviços, as emissoras são fios condutores que integram a comunidade, divulgam a cultura local e movimentam a economia.

A importância dessas empresas para a região é multidimensional. Elas são grandes geradoras de emprego direto (radialistas, jornalistas, operadores) e indireto (prestadores de serviço). Além disso, são a principal vitrine para o comércio local, impulsionando vendas e fomentando a economia regional. Para o cidadão, são a fonte de notícias sobre o trânsito, a prestação de serviços públicos, os acontecimentos do município e a cobertura esportiva das equipes locais.
O Cenário Nacional: Quem Domina e o Tamanho do Mercado
O mercado de radiodifusão nacional é dominado por grandes grupos que operam redes poderosas. Embora seja difícil cravar um ranking exato e atualizado com o número de afiliadas de cada grupo, visto que esses dados são dinâmicos e nem sempre amplamente divulgados, alguns grupos se destacam historicamente e consistentemente como os maiores em número de emissoras e redes de rádio no Brasil:

Grupo Bandeirantes de Comunicação: É um dos maiores e mais tradicionais, possuindo diversas redes nacionais de rádio em diferentes formatos (jornalismo/esportes, popular, jovem, etc.), como a BandNews FM, Rádio Bandeirantes e Band FM. Sua capilaridade com afiliadas é muito expressiva.

Grupo Massa (Rede Massa FM): Mencionado como a segunda maior rede de rádios do país em um dos resultados de pesquisa, o grupo, que tem origem paranaense, conta com mais de 75 emissoras de rádio espalhadas pelo Brasil em sua rede Massa FM, no segmento popular.


Grupo Globo (Sistema Globo de Rádio – SGR): O conglomerado possui redes fortes, como a CBN (notícias) e a Rádio Globo, com mais de 50 afiliadas no total, além de emissoras próprias.

Grupo Jovem Pan: Conhecido por sua forte presença, especialmente nas redes Jovem Pan FM (jovem/pop) e Jovem Pan News (jornalismo), que contam com um grande número de emissoras próprias e afiliadas em todo o território nacional.

Outros grupos de destaque com grande número de emissoras afiliadas em redes são: Rede Mix de Rádio, Transamérica, Rede Pampa (com forte atuação no Sul), entre outros.
Esses grupos se destacam não apenas pelas emissoras próprias, mas principalmente pela abrangência nacional alcançada por meio de suas redes de afiliação.
O domínio do mercado é compartilhado entre esses grandes grupos de mídia, que possuem emissoras próprias nas capitais e uma vasta rede de afiliadas no interior, e milhares de emissoras familiares e independentes, que formam a base plural da radiodifusão nacional.

Números que Impressionam: Faturamento e Empregos em 2025
O rádio brasileiro é um setor robusto. Dados consolidados pelas associações do setor projetam para 2025. O setor publicitário do rádio deve movimentar cerca de R$ 6,5 bilhões em 2025. Esse valor considera a publicidade direta, patrocínios e a crescente digitalização das emissoras, que buscam novas fontes de receita.
Estima-se que o setor de radiodifusão de som (rádio) seja responsável por gerar, direta e indiretamente, mais de 300 mil empregos no país. São profissionais que vão desde os talentosos locutores que entram em nossos lares até os técnicos que garantem a qualidade da transmissão.
Neste 25 de setembro de 2025, celebrar o Dia Nacional do Rádio é reconhecer a resiliência de um meio que se reinventa constantemente. Das ondas sonoras idealizadas por Roquette-Pinto aos podcasts transmitidos via streaming, o rádio mantém sua essência: ser a voz companheira, o jornal de quem está na estrada e o elo que une comunidades, como as da Costa do Descobrimento. Longe de ser uma mídia do passado, o rádio prova, a cada dia, que sua frequência ainda é a mais sintonizada com o coração do Brasil.

