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Início » O Brasil sob o espelho da violência de gênero: 3,7 milhões de vítimas no Brasil
POLÍCIA

O Brasil sob o espelho da violência de gênero: 3,7 milhões de vítimas no Brasil

Por Fabio Del Porto, Lucas Campos com dados da Agência Senado e Mapa da Violência 2025
4 de dezembro de 2025
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O DataSenado, em sua análise comparativa por unidades da Federação, destacou o estado da Bahia como um dos que apresentam indicadores de percepção de violência e desrespeito acima da média nacional, um reflexo da urgência em combater o feminicídio e a violência de gênero na região.

MATÉRIA ESPECIAL DO MAIS BAHIA

A violência contra a mulher no Brasil atinge níveis alarmantes, com milhões de vítimas registrando agressões a cada ano. De acordo com a pesquisa mais recente do Instituto DataSenado, a gravidade do cenário vai além dos números absolutos, refletindo uma profunda crise de respeito e um ambiente majoritariamente machista, conforme a percepção das próprias brasileiras.

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada pelo DataSenado, indicam que a violência de gênero é uma realidade brutal e recorrente.

Contexto Nacional: Números que Chocam

No âmbito nacional, o panorama é desolador:

Vítimas Recentes: A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (edição 2025) revela que cerca de 3,7 milhões de brasileiras declararam ter sofrido algum tipo de agressão nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Agressão na Vida: Uma em cada três brasileiras (cerca de 30%) declarou já ter sofrido algum tipo de agressão provocada por um homem ao longo da vida (dados de 2023).

Percepção de Machismo: A maioria esmagadora das mulheres brasileiras (62% em 2023, subindo para 70% em 2025) considera que o Brasil é um país muito machista.

A violência não é percebida apenas como física ou sexual. A pesquisa de 2023 apontou que 46% das brasileiras acreditam que, em geral, as mulheres não são tratadas com respeito no país.


Uma em cada três brasileiras (cerca de 30%) declarou já ter sofrido algum tipo de agressão provocada por um homem ao longo da vida (dados de 2023).

Recorte Bahia: Onde a Percepção de Violência é Alta

O DataSenado, em sua análise comparativa por unidades da Federação, destacou o estado da Bahia como um dos que apresentam indicadores de percepção de violência e desrespeito acima da média nacional, um reflexo da urgência em combater o feminicídio e a violência de gênero na região.

Os Indicadores de Alerta na Bahia:

Indicador (Pesquisa DataSenado 2023)Porcentagem na BahiaContexto Nacional
Mulheres que acreditam que a violência doméstica aumentou nos últimos 12 meses81%(Maior que a média nacional)
Mulheres que consideram o Brasil um país muito machista67%(Acima da média nacional de 62%)
Mulheres que afirmam ter amiga, familiar ou conhecida que já sofreu violência doméstica65%(Próximo à média nacional de 68%)
Mulheres que afirmam conhecer muito sobre a Lei Maria da Penha23%(Abaixo da média nacional de 24%)

Na Bahia, a percepção de falta de respeito é notória: ao lado de Pernambuco e Rio de Janeiro, o estado figura entre aqueles em que cerca de metade das mulheres acredita que as cidadãs não são tratadas com respeito no Brasil. Além disso, 52% das baianas consideram a rua como o ambiente onde a mulher é menos respeitada.

A alta porcentagem de mulheres na Bahia que percebem o aumento da violência doméstica (81%) é um indicador crucial da insegurança e do medo que permeiam a vida feminina no estado. Embora os dados do DataSenado se concentrem em pesquisas de opinião e na experiência vivida da violência (sem incluir o número bruto de feminicídios registrados pelas forças de segurança), eles sublinham o contexto social e cultural que permite a perpetuação da violência, que culmina nos casos de feminicídio.

A falta de conhecimento sobre instrumentos de proteção também acende o alerta: apenas 23% das mulheres baianas afirmam conhecer “muito” a Lei Maria da Penha, a principal ferramenta legal de combate à violência doméstica.

Ações de conscientização e o fortalecimento das redes de apoio e denúncia são essenciais para transformar esse cenário e garantir a segurança das mulheres, no Brasil e especialmente no estado da Bahia.

As mulheres vítimas de violência na Bahia e, especificamente, na região da Costa do Descobrimento, têm acesso a uma rede de apoio que inclui canais de denúncia emergenciais, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs).

O acolhimento e o encaminhamento podem ser feitos nas esferas federal, estadual e municipal.


52% das baianas consideram a rua como o ambiente onde a mulher é menos respeitada.

Canais de Denúncia e Atendimento de Emergência (Bahia e Nacional)

Estes canais funcionam como a porta de entrada para denunciar e solicitar ajuda imediata, disponíveis 24 horas por dia.

ServiçoNúmero/SiteFinalidade
Polícia Militar (Emergência)190Para casos de flagrante ou perigo iminente. A Polícia Militar pode intervir imediatamente no local.
Ligue 180180Central de Atendimento à Mulher. Recebe denúncias anônimas e reclamações, orienta sobre serviços especializados e encaminha para os órgãos competentes.
Delegacia Virtual (Polícia Civil)delegaciadigital.ssp.ba.gov.brPara registro de ocorrências policiais de violência doméstica que já aconteceram e quando a vítima não tem condições de ir a uma unidade física.
Disque Defensoria129 (apenas fixo) ou 0800 071 3121Orientação jurídica gratuita.

 

Para registro de ocorrências policiais de violência doméstica que já aconteceram e quando a vítima não tem condições de ir a uma unidade física busque o www.delegaciadigital.ssp.ba.gov.br.

Rede de Atendimento na Costa do Descobrimento

Nas cidades de Porto Seguro, Teixeira de Freitas e Santa Cruz Cabrália, você pode buscar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) para o registro de ocorrência policial e solicitação de Medidas Protetivas de Urgência, e os Centros de Referência (CRAMs), que oferecem apoio psicossocial e jurídico.

1. Porto Seguro

ServiçoContatoEndereço
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)(73) 99974-9098Rua Itagibá, nº 139, Centro, Porto Seguro
Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM)(73) 3288-5576 / (73) 99860-1534Rua Alfredo Dutra, nº 64, Centro, Porto Seguro

 

2. Teixeira de Freitas

ServiçoContatoEndereço
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)(73) 3292-3651Rua Santa Bárbara, S/N, Bairro Bom Jesus, Teixeira de Freitas
Centro de Referência de Atendimento à Mulher Verônika Lind(73) 99865-5371Rua Águas Claras, nº 380, Bela Vista, Teixeira de Freitas
Vara de Violência Doméstica(77) 3425-8939(Busque o endereço atualizado no Fórum local)

 

3. Santa Cruz Cabrália

ServiçoContatoEndereço
Centro de Referência de Atendimento à Mulher Bem me Quer(73) 99805-1059Rua Pará, nº 08, Campinho, Santa Cruz Cabrália
Delegacia Territorial (Em caso de ausência de DEAM)190 ou Delegacia de Polícia mais próximaNão há DEAM, procure a Delegacia de Polícia mais próxima.

 

4. Eunápolis

ServiçoContatoEndereço
Delegacia Territorial (DT) ou Núcleo de Atendimento190 ou (73) 3281-5830 (DT)Não há DEAM listada, procure a Delegacia de Polícia mais próxima.

Atenção: Nos municípios onde não houver Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) como em Eunápolis e Santa Cruz Cabrália (para registro policial), a mulher deve procurar a Delegacia de Polícia (DT) mais próxima, que tem o dever legal de recebê-la e registrar a ocorrência.


O que procurar em cada serviço

Delegacia da Mulher (DEAM) ou Delegacia Territorial (DT): Registro do Boletim de Ocorrência (BO), solicitação de Medidas Protetivas de Urgência e encaminhamento para exame de corpo de delito.

Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM): Acolhimento, escuta qualificada, acompanhamento psicológico, social e orientação jurídica para que a mulher possa tomar decisões informadas sobre o enfrentamento da violência.

Defensoria Pública: Assistência jurídica gratuita e integral, incluindo a solicitação de medidas protetivas e ações cíveis (divórcio, guarda de filhos, pensão).

Ronda Maria da Penha (PM): Patrulhamento específico para mulheres que já possuem Medidas Protetivas de Urgência e vivem sob risco iminente.

Machismo violência contra a mulher violência de gênero
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