REDAÇÃO | MAIS BAHIA | – Um dos episódios mais sombrios da história recente da segurança pública na Bahia começa a ter seu desfecho judicial. Iniciou-se nesta segunda-feira (27), na 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Ruy Barbosa, o julgamento de policiais militares acusados pelo sequestro, tortura e morte do jovem Geovane Mascarenhas de Santana, de 22 anos.
O crime, ocorrido em agosto de 2014, chocou o país e ganhou repercussão internacional pela crueldade dos detalhes e pelo fato de a última imagem do jovem vivo ter sido registrada por câmeras de segurança durante uma abordagem policial no bairro da Calçada.
Relembre o Crime: Tortura e Barbárie
Geovane foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar no dia 2 de agosto de 2014. Segundo as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o jovem foi levado para a sede da Rondesp, onde sofreu sessões de tortura.
O laudo cadavérico revelou um cenário de horror: Geovane foi decapitado, carbonizado, teve os órgãos genitais removidos e duas tatuagens retiradas do corpo — uma tentativa clara de impedir a identificação da vítima. Seu corpo foi encontrado dias depois em um lixão no bairro de Campinas de Pirajá.
Os Réus e as Acusações
Ao todo, sete policiais foram denunciados pelo MPBA, embora o número de réus que vão a júri tenha variado ao longo dos recursos judiciais. Entre os principais nomes que respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, sequestro, roubo e ocultação de cadáver estão:
- Subtenente Cláudio Bonfim Borges (apontado como mandante);
- Sargento Jesimiel da Silva Rezende;
- E os soldados que compunham as guarnições no dia do crime.
A defesa dos policiais sempre sustentou a tese de que o jovem teria sido liberado após a abordagem, alegando que ele foi parado apenas por ter “características semelhantes” a um assaltante. No entanto, os dados do GPS das viaturas e as imagens de segurança desmentiram as versões iniciais.
A Luta de um Pai
O julgamento só está ocorrendo hoje graças à persistência incansável de Jurandir Santana, pai de Geovane. Foi ele quem percorreu ruas, delegacias e hospitais atrás de imagens de câmeras de segurança que provassem que o filho havia sido levado pela polícia. “Eu não queria justiça com as mãos, queria a justiça da lei. Foram 12 anos de sofrimento, mas hoje meu filho pode descansar”, declarou Jurandir na chegada ao fórum.
Expectativa de Sentença
O julgamento deve durar vários dias devido ao número de réus e testemunhas. O conselho de sentença, formado por cidadãos comuns, decidirá o futuro dos militares, que durante todo esse tempo responderam ao processo em liberdade e desempenhando funções administrativas na corporação.



