POR ROD PEREIRA
“Não acho que quem ganhar ou quem perder,
nem quem ganhar nem perder,
vai ganhar ou perder.
Vai todo mundo perder.”
Dilma Rousseff
Aí está. A frase que o Brasil riu, mas que deveria ter sido impressa no verso de cada cédula de real ou mensagem de pix feito. Dilma não estava apenas confusa; ela era a Cassandra do cerrado, a pitonisa de Taquatinga, a Mãe Dináh do Planalto, prevendo o nosso destino manifesto: o empate técnico no fundo do poço.
O Datafolha, esse cartório de nossas angústias, dias atrás deu o selo de autenticidade: o brasileiro está com medo. Ora, que surpresa! É como descobrir que o passageiro do banco de trás de um carro sem freio, dirigido pelo Geraldo Magela, “aquele cego humorista”, está ligeiramente apreensivo. O medo do futuro cresce? Milagre é que ainda tenhamos unhas para roer.
A Urna como Roleta Russa (com seis balas)
A eleição de 2026 se aproxima e o clima não é de democracia, é de inventário. Estamos escolhendo quem vai administrar o nosso velório. O brasileiro, esse ser místico que sobrevive a surtos de dengue, covid, juros de agiota e político de estimação ladrão, finalmente atingiu o estado de iluminação total: ele sabe que, independente do nome que aparecer na urna, o resultado é o mesmo: um boleto vencido e um tapa na cara dado por alguém com foro privilegiado.
Quem ganhar, perde. Quem perder, perde.
E você, que apertar o botão “confirma”, perde inclusive o direito de reclamar, porque o seu candidato vai estar ocupado demais fatiando o país como se fosse um queijo minas em mesa de boteco.
O Carnaval da Melancolia
O Datafolha disse que 69% se sentem inseguros. Os outros 31% provavelmente são os políticos que estão lendo essa mesma pesquisa entre uma picanha e outra. Vivemos no único país do mundo onde o otimismo é considerado um sintoma clínico de demência.
O Medo: Não é mais aquele medo metafísico, existencial. É o medo de que o futuro seja apenas uma reprise em HD do século XIX, com Wi-Fi que não funciona e um carrasco que faz dancinha no TikTok.
A Descrença: O brasileiro não acredita mais no amanhã. O amanhã no Brasil é apenas o lugar onde a gente guarda as promessas de campanha que vão virar piada no grupo de whatsapp dos amigos.
A Vitória da Derrota
O artigo 1º da nossa Constituição invisível deveria ser: “Todo o poder emana do povo e volta para o povo em forma de gás de cozinha a R$ 135,00 reais”. No final da apuração, quando o novo (ou velho) “salvador” subir a rampa, não se engane. A rampa não é uma ascensão; é um trampolim para o abismo. E nós estamos lá embaixo, fazendo o “L”, fazendo o “B”, fazendo o “Z”, enquanto o chão se aproxima em velocidade terminal.
Dilma foi a nossa filósofa mais precisa. Ela entendeu que o Brasil é o único jogo onde a banca sempre ganha, mas a banca também está pegando fogo. Parabéns aos envolvidos: o brasileiro finalmente parou de esperar pelo futuro porque percebeu que o futuro já chegou, olhou para a nossa cara e pediu demissão por excesso de trabalho.
Pode apagar a luz. Se é que ainda tem luz para apagar.


