REDAÇÃO | MAIS BAHIA | POR FABIO DEL PORTO
A deflagração da terceira fase da Operação Carbono Oculto, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, trouxe à tona detalhes sobre como ferramentas de apostas e prêmios lotéricos teriam sido utilizadas para mascarar a origem de recursos ilícitos. A apuração aponta que um dos delatores do caso ligado ao Banco Master figurou como ganhador de 570 premiações em loterias e casas de apostas em um intervalo de cinco anos, totalizando R$ 176 milhões. Executivos ligados ao Banco Genial e ao Banco Master também se tornaram alvos de mandados judiciais.
O método investigado baseia-se na compra de bilhetes premiados de terceiros por valores superiores ao do prêmio oficial, pagando o ágio em dinheiro em espécie sem origem declarada. Ao depositar o valor da premiação formalizada, o destinatário obtém o comprovante legal e a justificativa de ganho de capital perante a receita. O padrão estatístico atípico das sucessivas premiações foi o principal fator para a identificação da anomalia financeira.
No cenário nacional, as autoridades reforçaram os mecanismos de monitoramento sobre a transferência e a validação de prêmios de alto valor para conter a prática do branqueamento financeiro. A Caixa Econômica Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aplicam regras rígidas de identificação e notificação em pagamentos que ultrapassem os limites de isenção ou que apresentem reincidência atípica de um mesmo beneficiário. As investigações prosseguem em segredo de justiça para mapear os desdobramentos operacionais e a extensão dos repasses identificados.


