O cenário político da Costa do Descobrimento permanece sob forte tensão nesta quinta-feira (29). Após a deflagração da Operação Apito Final no início desta semana, novos detalhes revelam a gravidade das investigações que miram dois vereadores da Câmara Municipal de Porto Seguro e servidores públicos da região.
Diferente de investigações administrativas comuns, a operação atual apura uma suspeita alarmante: a de que agentes públicos estariam atuando como informantes para organizações criminosas. Segundo o Ministério Público da Bahia (MPBA), o grupo teria repassado informações sigilosas sobre movimentações policiais, permitindo que criminosos antecipassem operações e protegessem atividades ilícitas, especialmente nos distritos turísticos de Arraial d’Ajuda e Trancoso.
A presença de agentes da Polícia Federal e do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) em endereços ligados a parlamentares gerou um “terremoto” na política local. Embora os nomes dos vereadores ainda não tenham sido divulgados oficialmente pelas autoridades para não comprometer o sigilo das diligências, o portal Bahia40graus confirmou que os alvos são figuras influentes no legislativo municipal.

Entenda a Operação Apito Final
A ofensiva, que conta com o apoio da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar, busca desarticular uma estrutura complexa que envolve:
- Tráfico de Drogas: Divisão de tarefas e logística operacional.
- Lavagem de Dinheiro: Uso de intermediários para ocultar valores.
- Corrupção Passiva: Suposta venda de informações privilegiadas por parte de servidores.
Pontos principais das atualizações de hoje (29/01/2026):
- Informantes do Crime: A principal suspeita é que os vereadores e alguns servidores utilizavam o acesso privilegiado a dados da prefeitura e de órgãos de segurança para alertar líderes de facções sobre futuras incursões policiais na Orla Norte e distritos turísticos.
- Conexão com Itabela: A operação está ligada à descoberta de um cemitério clandestino em Itabela (distrito de Montinho) . A PF acredita que o grupo político facilitava a logística de facções que utilizavam essas áreas de mata para execuções.
- Afastamento Político: Na Câmara Municipal, já se discute a criação de uma Comissão de Ética, embora os parlamentares ainda não tenham sido afastados formalmente de seus cargos até que os mandados de prisão ou medidas cautelares específicas sejam cumpridos.
- Falsas Identidades: Além da corrupção, há indícios cruzados com a Operação Monã (de hoje), investigando se esses mesmos políticos ajudaram a validar as falsas declarações de identidade indígena usadas nas fraudes do INSS para angariar apoio político em aldeias da região.
O Que Dizem as Defesas
Até o momento, a Câmara Municipal de Porto Seguro não emitiu uma nota oficial sobre o afastamento ou a situação administrativa dos vereadores citados. O espaço permanece aberto para que as assessorias jurídicas dos envolvidos se manifestem.

