REDAÇÃO | MAIS BAHIA |
A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 caminha para atingir um novo recorde histórico. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita nacional está estimada em 357,97 milhões de toneladas — arredondada para 358 milhões. Caso a previsão se confirme, o volume representará um aumento de 1,6% em comparação ao ciclo anterior, o que significa um incremento de 5,7 milhões de toneladas injetadas no mercado.
O avanço histórico é sustentado principalmente pela expansão da área destinada ao plantio. O campo brasileiro deve alcançar 83,5 milhões de hectares cultivados, uma ampliação de 2,2% em relação à temporada passada (cerca de 1,8 milhão de hectares a mais). Em contrapartida, o rendimento médio das lavouras deve registrar uma ligeira queda de 0,6%, ficando estimado em 4.286 quilos por hectare, puxado por oscilações climáticas pontuais em algumas regiões produtoras.
O protagonismo da soja e a força do milho
A grande locomotiva deste recorde é a soja. A oleaginosa deve atingir a marca inédita de 180,1 milhões de toneladas, um crescimento expressivo de 5% sobre a safra anterior. Com mais de 98% da área já colhida no país, o resultado consolida o Brasil como líder global de produção e eleva as expectativas de exportação para até 116 milhões de toneladas do grão.
Já o milho, somando suas três safras, deve registrar a segunda maior colheita da história do país, totalizando 140,2 milhões de toneladas. Embora o milho primeira safra tenha crescido 14,1% (atingindo 28,5 milhões de toneladas), a segunda safra — conhecida como “safrinha” — apresentou recuo de 4,2%, fechando em 108,5 milhões de toneladas. Essa retração foi causada pela restrição hídrica sofrida em abril nos estados de Goiás e Minas Gerais.
Sorgo dispara e culturas de abastecimento interno recuam
Outro grande destaque do ciclo é o sorgo, que registrou uma alta expressiva de 23,8%, alcançando 7,56 milhões de toneladas. O grão ganhou espaço no Centro-Oeste após muitos produtores migrarem áreas de milho tardio para o sorgo, devido à sua maior resistência à seca e forte demanda pelas indústrias de alimentação animal e de etanol.
Por outro lado, culturas essenciais para a mesa dos brasileiros apresentaram retração no volume total. O arroz teve uma queda de 13,1%, projetado em 11,08 milhões de toneladas, motivado pela redução de 32% nas áreas de sequeiro. O feijão acompanhou a tendência com recuo de 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. Apesar dos números menores, a Conab reforça que a produtividade média dessas culturas apresentou melhora e que não há qualquer risco de desabastecimento ou falta de estoques para o mercado interno.


