DA REDAÇÃO EM PORTO SEGURO –
O domingo de Carnaval (15) em Porto Seguro e seus distritos consolida o resgate do chamado “Carnaval Cultural”. Enquanto os grandes circuitos atraem multidões, é nas ruas estreitas do Centro e no charme histórico de Arraial d’Ajuda que a identidade da festa se manifesta hoje. No entanto, por trás da folia, autoridades correm contra o tempo para equilibrar o lazer com o ordenamento urbano e a segurança náutica.
O Chão da Praça: De Africanidade aos Meketref’s
No Centro, o destaque deste domingo fica por conta da ancestralidade do bloco Africanidade, que leva o toque do axé e do samba-reggae para a Passarela da Cultura. No contrafluxo da tradição, o irreverente Meketref’s promete arrastar a ala mais jovem com a energia que é marca registrada do grupo há anos.
Do outro lado da balsa, em Arraial d’Ajuda, a expectativa é de lotação máxima. O bloco Bandeirosas e o tradicional Bloco das Toalhas transformam o Mucugê em um formigueiro humano. A premissa é a “paz e alegria”, mas o volume de pessoas em ruas estreitas coloca à prova o plano de evacuação e a mobilidade do distrito.

O Contraponto: O Mar Não Está para Peixe (nem para Álcool)
Se em terra o policiamento foi reforçado, o foco crítico deste domingo se desloca para o mar. A Capitania dos Portos (Marinha do Brasil) intensificou a “Operação Verão” especificamente na travessia Porto-Arraial e nas proximidades da Ilha do Pirata.
O pressuposto de que “no mar a festa é livre” é o maior risco: a fiscalização está sendo rigorosa no teste do bafômetro para condutores de lanchas e jet-skis. O objetivo é evitar que a mistura de álcool e navegação — comum em festas privadas em embarcações — termine em tragédia, como já visto em verões passados.
A Guerra dos Decibéis: Paredões vs. Descanso
Outro ponto de atrito que a redação do Mais Bahia monitora é o controle da poluição sonora. Embora a Prefeitura tenha delimitado áreas para os circuitos oficiais, a proliferação de “paredões” em áreas residenciais de Arraial e Trancoso gera um embate direto entre o turista que quer o “grave” e o morador (ou turista de luxo) que busca o sossego dos distritos.
A lógica é simples, mas a execução é complexa: como garantir a “Cidade do Carnaval” sem aniquilar o direito ao silêncio de quem mantém a economia local o ano inteiro?


